Cravo de noiva

Print Friendly, PDF & Email

Cravo de noiva (Augusto dos Anjos)

Cravo de noiva. A nívea cor de cera
Que o seu seio branqueja, é como os prantos
Níveos, que a virgem chora, entre os encantos
Dum noivado risonho em primavera.

Flor de mistérios d’alma, sacrossantos,
Guarda segredos divinais que eu dera
Duas vidas, se duas eu tivera
Pra desvendar os seus segredos santos.

E tudo quer que nessa flor se enleve
O poeta. É que dessa concha armínea,
Da lactescência angélica da neve,

Se evolam castos, virginais aromas
De essência estranha; olências de virgínea
Carne fremindo num langor de pomas.

Publicações relacionadas

A donzela e o fantasma –... A donzela e o fantasma - V (Oscar Wilde) CAPÍTULO V Passados dias, andavam V...
Louvor a Unidade Louvor a Unidade (Augusto dos Anjos) Escafandros, arpões, sondas e agulhas D...
Clearly Non-Campos! Clearly Non-Campos! (Álvaro de Campos) Não sei qual é o sentimento, ainda ine...
A rosa de Albert, que tocaba, ... A rosa de Albert, que tocaba, pensativa, el arpa (siglo XX) (Rafael Alberti) ...

Deixe uma resposta