O Mar, a Escada e o Homem

Print Friendly, PDF & Email

O Mar, a Escada e o Homem (Augusto dos Anjos)

O mar é triste como um cemitério,
Cada rocha é uma eterna sepultura
Banhada pela imácula brancura
De ondas chorando num albor etéreo.

Ah! dessas no bramir funéreo
Jamais vibrou a sinfonia pura
Do amor; só descanta, dentre a escura
Treva do oceano, a voz do meu saltério!

Quando a cândida espuma dessas vagas,
Banhando a fria solidão das fragas,
Onde a quebrar-se tão fugaz se esfuma.

Reflete a luz do sol que já não arde,
Treme na treva a púrpura da tarde,
Chora a saudade envolta nesta espuma!

Pau d’Arco – 1902

Publicações relacionadas

Canto de Onipotência Canto de Onipotência (Augusto dos Anjos) Cloto, Átropos, Tifon, Laquesis, Siv...
A vida assim nos afeiçoa A vida assim nos afeiçoa (Manuel Bandeira) Se fosse dor tudo na vida, Seria ...
Mundo Grande Mundo Grande (Carlos Drummond de Andrade) Não, meu coração não é maior que o ...
Alegria Alegria (Arnaldo Antunes) eu vou te dar alegria eu vou parar de chorar eu...

Deixe uma resposta