O Martírio do Artista

Print Friendly, PDF & Email

O Martírio do Artista (Augusto dos Anjos)

Olha agora, mamífero inferior,
A luz da epicurista ataraxia,
O fracasso de tua geografia
E de teu escafandro esmiuçador!

Ah! jamais saberás ser superior,
Homem, a mim, conquanto ainda hoje em dia,
Com a ampla hélice auxiliar com que outrora ia
evoando ao vento o vastíssimo vapor,

Rasgue a água hórrida a nau árdega e singre-me!
E a verticalidade da Escada íngreme:
“Homem, já transpuseste os meus degraus?!”

E Augusto, o Hércules, o Homem, aos soluços,
Ouvindo a Escada e o Mar, caiu de bruços
No pandemônio aterrador do Caos!

Publicações relacionadas

Sou um caso perdido Sou um caso perdido (Mario Benedetti) Do liv...
Poemetos Poemetos (Paulo Leminski) I É quando a vida vase É quando como quase....
Haicai Haicai (Paulo Leminski) a estrela cadente me caiu ainda quente na palma d...
O sol O sol (Charles Pierre Baudelaire) Trad...

Deixe uma resposta