Quando olho para mim não me percebo

Print Friendly, PDF & Email

Quando olho para mim não me percebo (Álvaro de Campos)

Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca propriamente reparei
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.

Publicações relacionadas

Creio Creio (Alberto Caeiro) Creio que irei morrer. Mas o sentido de morrer n...
À história À história (Antero de Quental) de Odes mod...
O punhal O punhal (Jorge Luis Borges) Tradução Em um estojo tem um punhal. Foi for...
Que falta aos jovens? Que falta aos jovens? (Mario Benedetti) Tradução Que falta aos jovens prov...

Deixe uma resposta