Solilóquio de um Visionário

Print Friendly, PDF & Email

Solilóquio de um Visionário (Augusto dos Anjos)

Para desvirginar o labirinto
Do velho e metafísico Mistério,
Comi meus olhos crus no cemitério,
Numa antropofagia de faminto!

A digestão desse manjar funéreo
Tornado sangue transformou-me o instinto
De humanas impressões visuais que eu sinto,
Nas divinas visões do íncola etéreo!

Vestido de hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais…

Subi talvez às máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
É necessário que inda eu suba mais!

Publicações relacionadas

Suave Mari Magno Suave Mari Magno(Machado de Assis) Lembra-me que, em certo dia, Na rua, a...
Navegar é Preciso Navegar é Preciso (Fernando Pessoa) Navegadores antigos tinham uma frase glor...
O mapa O mapa (Mário Quintana) Olho o mapa da cidade Como quem examinasse A anatom...
Tristezas de um Quarto-Minguan... Tristezas de um Quarto-Minguante (Augusto dos Anjos) Quarto Minguante! E, em...

Deixe uma resposta