Memórias de B.

Memórias de Itaipu por uma antiga moradora

Nascida em Itaipu B. viu as mudanças ocorridas na região por seus próprios olhares e pelas histórias contadas por seus ancestrais. Ela nos brinda com estas memórias maravilhosas.

A praia de Itaipu

Era uma praia só, não existia o canal [de Camboatá]. Eram dunas que derramavam sobre a lagoa e a praia. Conforme os ventos, as dunas cresciam ou abaixavam.

Quando chovia muito e as lagoas de Piratininga e Itaipu transbordavam, os pescadores a abriam para a água passar da lagoa para o mar. Dependendo da quantidade de chuvas, as vezes era preciso ajuda de máquinas ou mais pessoas. Nos casos de chover forte, era preciso abrir um canal em Piratininga também.

Com a correnteza jogando água de uma lagoa para outra através do canal de Camboatá, em Itaipu se formava um rio entre as Dunas, descendo para o mar.

Era um festival de peixes pulando. Era a época de crescimento do robalo e as tainhas entravam para desovar na lagoa. Com isso cresciam as tainhotas e os acarás, peixes naturais das lagoas. Também toneladas de camarão cinza na época de reprodução.
Mais tarde, o mar subia jogando água para a lagoa e se misturavam. Era lindo!

Com o passar do tempo tudo voltava ao normal.

Nas areias repletas de conchinhas, nadando na areia, bem pequeninas. Seis meses depois as conchinhas cresciam. Era só cavar nas beiradas da lagoa. Tinham duas espécies que só se encontrava em Itaipu. Algumas pessoas enchiam em baldes para vende-las em restaurantes.

O canal permanente foi aberto no final dos anos 1970.

Na entrada de Camboinhas havia uma pedreira enorme, muito linda, à direita de quem entra. Essa pedreira foi explodida e os pedaços são as pedras que usaram na abertura do canal.

O nome Camboinhas surgiu em 1958 quando um navio de mesmo nome encalhou na praia, por causa de um forte temporal. A Marinha não conseguiu desencalhar, pois o reboque também encalhou, tendo que ser rebocado por outro, imediatamente. Seria preciso vir dos Estados Unidos um rebocador mais potente e preparado, o que não aconteceu.

Memória

Memória
Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.