{"id":2094,"date":"2019-12-10T10:50:30","date_gmt":"2019-12-10T13:50:30","guid":{"rendered":"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/?page_id=2094"},"modified":"2019-12-10T11:26:59","modified_gmt":"2019-12-10T14:26:59","slug":"eu-o-corrego","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/eu-o-corrego\/","title":{"rendered":"Eu, o C\u00f3rrego."},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2019\/12\/Imagem.jpg\" alt=\"capa\" width=\"800\" height=\"1670\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2103\" srcset=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2019\/12\/Imagem.jpg 800w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2019\/12\/Imagem-144x300.jpg 144w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2019\/12\/Imagem-491x1024.jpg 491w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2019\/12\/Imagem-768x1603.jpg 768w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2019\/12\/Imagem-736x1536.jpg 736w\" sizes=\"auto, (max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p>\n<p>Des\u00e7o da Serra da Tiririca&#8230; Me chamam l\u00e1 no Parque de C\u00f3rrego dos Colibris. Gosto muito desse nome. Po\u00e9tico, n\u00e3o acham?  Mas&#8230; em lugar de me deixarem correr livremente, embelezando o bairro Peixoto, me esconderam. Puseram umas manilhas escuras, me enfiaram dentro e cobriram tudo com asfalto. Que escurid\u00e3o! Sem vida.<\/p>\n<p>Ah! mas sou corajoso. Me mantive vivo para chegar ao final das manilhas e sai ali, bem pertinho da creche e da Escola Alcina. Que alegria escutar a algazarra das crian\u00e7as e jovens. Tem tamb\u00e9m um muro grande, vermelho. Ou\u00e7o as vezes umas sirenes altas. Soube que ali ficam pessoas que cuidam das outras quando precisam.<br \/>\nVejo que sa\u00ed da escurid\u00e3o em lugar cheio de vida. <\/p>\n<p>Da\u00ed vou correndo reto, n\u00e3o mais com aquelas curvas bonitas que fazia antes, at\u00e9 a lagoa de Itaipu. Aqui me chamam diferente. Sou C\u00f3rrego da Tiririca. Talvez porque sabem que venho de l\u00e1.<\/p>\n<p>Fiquei muito tempo esquecido por aqui. Assustado com uns canos grandes que muitas vezes jogam \u00e1gua pura no  meu leito e isto \u00e9 bom. Mas algumas vezes estas \u00e1guas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o puras e fazem grande mal a meus amiguinhos. <\/p>\n<p>Apesar de esquecido tenho muitos amiguinhos sabiam?  Uma gar\u00e7a branca, grande e bonita que me percorre em busca dos peixinhos coloridos. Umas plantas com flores brancas bonitas, que lutam com o mato para sobreviver. \u00c9 nas ra\u00edzes dela que se abrigam os peixinhos para ter seus filhotes.<\/p>\n<p>Mas parece que ningu\u00e9m admirava estes pequenos animais brincando nas minhas \u00e1guas. Nem nas poucas \u00e1rvores que me protegem e alimentam.<\/p>\n<p>Vez ou outra, me assusto com umas m\u00e1quinas enormes, que revolvem minhas entranhas, matam meus amiguinhos, e destroem minhas margens. S\u00e3o barulhentas e agressivas.<\/p>\n<p>Mas nada dura para sempre. e certo dia, ouvi umas pessoas conversando junto \u00e0 minha margem esquerda. Falavam em trazer de volta o verde para me proteger e refrescar. Que del\u00edcia!<\/p>\n<p>No princ\u00edpio eram poucos, mas muito ass\u00edduos. Mais tarde vieram outros.<\/p>\n<p>Em um belo dia de sol, um grupo enorme se aproximou de mim e, com coragem iniciou um plantio de mudas. Fiquei curioso. N\u00e3o entendi bem o que desejavam.<\/p>\n<p>O tempo passou e fiquei acompanhando o que faziam em cada visita. Falavam de ninhos e pensei nas aves. <\/p>\n<p>Mas que surpresa! Os ninhos que falavam n\u00e3o eram para aves, mas para receber as sementes, as estacas e as mudas. Nestes ninhos \u00e9 que ir\u00e3o nascer e crescer as \u00e1rvores que v\u00e3o me proteger. E n\u00e3o colocam apenas mudas de \u00e1rvores frondosas &#8211; estas v\u00e3o demorar a crescer &#8211; eles dizem. Colocam outras esp\u00e9cies que crescem mais r\u00e1pido para ajudar as outras. Falam um nome complicado: \u201cSINTR\u00d3PICA\u201d Cruzes! Mas eu entendo. Sei por experi\u00eancia pr\u00f3pria que a vida \u00e9 feita de coopera\u00e7\u00e3o entre os seres. Eu comparto minha umidade com as \u00e1rvores e elas me d\u00e3o sombra para eu n\u00e3o secar. D\u00e3o sementes para alimentar os peixinhos e sapos que vivem em minhas \u00e1guas. \u00c9 assim que a vida fica mais bela.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o! Nos ninhos eles colocam muitas coisas diferentes, desde feij\u00f5es, ab\u00f3boras e mandiocas que v\u00e3o crescer r\u00e1pido e alimentar as pessoas, at\u00e9 as frondosas e exuberantes Jacarand\u00e1s, Pau Ferro e Ip\u00eas que ir\u00e3o fazer lembrar os tempos da mata atl\u00e2nticas. E tem um mo\u00e7o alto e bonit\u00e3o, que explica aos outros que estas \u00e1rvores grandes e bonitas precisam da prote\u00e7\u00e3o de  outras para se desenvolverem. S\u00e3o as pitangas, aroeiras, amoreiras, pau- d&#8217;alho que ir\u00e3o crescer r\u00e1pido e dar a sombra que as grandes \u00e1rvores.<\/p>\n<p>De fato, parece que desta vez encontrei amigos de verdade. <\/p>\n<p>N\u00e3o gente que quer me enfiar dentro de tubo escuro e sem vida. Que diz que eu cheiro mal e junto mato. Mas se cheiro mal \u00e9 porque lan\u00e7am porcarias no meu leito. L\u00e1 no Parque minhas \u00e1guas s\u00e3o frescas e claras. Se o mato cresce \u00e9 que retiraram as \u00e1rvores e o sol direto faz o mato crescer.<\/p>\n<p>Estou muito animado com estes novos amigos, e olha que tem de todos os tipos: altos, baixos, jovens e senhores, mas todos est\u00e3o preocupados em que eu tenha uma margem mais protegida e mais bela. Vejo que  quando est\u00e1 muito quente alguns vem com um garrafa ou com uma mochila e v\u00e3o molhando os ninhos. Vi tamb\u00e9m que chegaram uns caminh\u00f5es grandes, at\u00e9 me assustei pensando que iam revolver minhas entranhas, mas n\u00e3o, depositaram uns montes de vegeta\u00e7\u00e3o picada e depois vieram os amiguinhos e come\u00e7aram a distribuir entre os ninhos para refrescar a terra.<\/p>\n<p>E pensam que s\u00f3 eu estou feliz com tudo isto?  N\u00e3o. Todos meus amiguinhos est\u00e3o muito mais esperan\u00e7osos: as gar\u00e7as, os soc\u00f3s, o carcar\u00e1, sapinhos e peixinhos. Os Chap\u00e9us de couro, aquela planta verde de flores brancas, que muitos usam para se curar e os peixinhos para se reproduzirem, tamb\u00e9m ficaram mais felizes.<\/p>\n<p>Toda a VIDA que habita as minhas \u00e1guas agora est\u00e1 sendo notada&#8230;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>-Texto elaborado pelo Coletivo C\u00f3rrego da Tiririca, Itaipu, Niter\u00f3i, RJ.<br \/>\nArte da capa adaptada de Xilogravura original de Augusto Barros, criada para a Agencia Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco adaptada.<br \/>\nPode  ser distribu\u00edda, reproduzida e adaptada livremente.<br \/>\nSite: http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/<br \/>\nFacebook : https:\/\/www.facebook.com\/corregodatiririca\/Instagram : @corregodatiririca<\/p>\n<hr \/>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Des\u00e7o da Serra da Tiririca&#8230; Me chamam l\u00e1 no Parque de C\u00f3rrego dos Colibris. Gosto muito desse nome. Po\u00e9tico, n\u00e3o acham? 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