{"id":5166,"date":"2020-12-08T21:02:18","date_gmt":"2020-12-09T00:02:18","guid":{"rendered":"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/?p=5166"},"modified":"2020-12-08T21:02:18","modified_gmt":"2020-12-09T00:02:18","slug":"a-terra-que-nos-alimenta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/a-terra-que-nos-alimenta\/","title":{"rendered":"A terra que nos alimenta"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Coluna da Luisa<\/strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-3666\" srcset=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-150x150.jpg 150w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-300x300.jpg 300w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-100x100.jpg 100w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-50x50.jpg 50w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa.jpg 594w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><br \/>\n<em>Luisa \u00e9 uma das criadoras do Coletivo C\u00f3rrego da Tiririca. Ela nos brinda com suas considera\u00e7\u00f5es sobre diversos aspectos ligados direta ou indiretamente com nosso projeto<\/em>.<\/p>\n<hr>\n<hr>\n<p>Com o fim da pandemia, o percentual de pessoas que n\u00e3o tem acesso ao alimento tende a se ampliar.<\/p>\n<p>Ao longo da era do desenvolvimentismo imposta nos anos 1940 do S\u00e9culo XX as press\u00f5es por ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio no campo levaram a desestrutura\u00e7\u00e3o da agricultura familiar, violentas lutas por terra e envenenamento por agrot\u00f3xicos.<br \/>\nEstamos agora no s\u00e9culo XXI, mas todo o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico do s\u00e9culo passado n\u00e3o foi capaz de acabar com a fome no planeta. Os direitos b\u00e1sicos das popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram contemplados, e nos grandes centros ocorreu uma perda acelerada das riquezas culturais e naturais que se formaram atrav\u00e9s dos tempos.<br \/>\nUma moradora da regi\u00e3o metropolitana de Petrolina, em Pernambuco, deixou um depoimento preocupante: Se o mercado ficou mais caro, o jeito \u00e9 comer menos.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s temos o direito a alimentos frescos, nutritivos e adequados a nossa cultura. Alimentos produzidos de forma saud\u00e1vel, livre de veneno e fruto do trabalho digno do homem no campo.<\/p>\n<p>Como solucionar os problemas ligados a seguran\u00e7a alimentar? Quais as solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis?<\/p>\n<p>Fugindo das solu\u00e7\u00f5es assistencialistas, o fortalecimento da agricultura agroecol\u00f3gica com a produ\u00e7\u00e3o de alimentos mais saud\u00e1veis, pode garantir a seguran\u00e7a alimentar e a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>A terra possui valor social, constr\u00f3i a ess\u00eancia do homem no trato com a natureza, para produzir alimentos e o bem viver. A sabedoria popular no campo \u00e9 passada de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 a macela do campo que embeleza com suas flores perenes. A arnica que cura o machucado. O genipapo que tinge. <\/p>\n<p>O homem do campo tem o direito de escolher o que quer produzir, bem como gerir seu pr\u00f3prio sistema alimentar. Como princ\u00edpios da produ\u00e7\u00e3o alimentar est\u00e3o o direito \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, produ\u00e7\u00e3o de comida saud\u00e1vel, uso de t\u00e9cnicas e tecnologias da cultura camponesa, sistemas locais de produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIsso n\u00e3o significa um retorno ao passado, mas sim uma produ\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica num campo mais sustent\u00e1vel. O desafio principal \u00e9 estabelecer novas formas de produ\u00e7\u00e3o que beneficiem a natureza (considerando pessoas e ambiente como natureza).<\/p>\n<p>Dentro do que conhecemos como agroecologia, um sistema de plantio que restitui as pessoas que vivem do campo o valor de uso e a fun\u00e7\u00e3o social da terra \u00e9 a Agricultura Sintr\u00f3pica. Esse sistema de plantio mostra grande potencial para recupera\u00e7\u00e3o florestal, juntamente com o restabelecimento da fauna pela constante incorpora\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria verde ao solo. Num sistema agroecol\u00f3gico a revitaliza\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos acontece naturalmente, e nascentes secas voltam a jorrar \u00e1gua. A produ\u00e7\u00e3o de alimentos vem em quantidade e qualidade.<\/p>\n<p>O modelo de agricultura sintr\u00f3pica \u00e9 capaz de dignificar a vida do trabalhador, que passa a habitar um campo mais sustent\u00e1vel, livre de veneno. Recupera a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o ser humano e mundo natural, respeitando os limites dos ecossistemas naturais e dos sistemas de plantio.<\/p>\n<p>Por diversas raz\u00f5es a agricultura convencional tem conduzido a um ambiente in\u00f3spito e degradado. Mas a agricultura sintr\u00f3pica vem como uma reden\u00e7\u00e3o. Uma metodologia capaz de restaurar os ambientes naturais, respeitando os ciclos da terra, simplesmente plantando alimento junto com a floresta.<br \/>\nE quem disse que a agricultura precisa ser grande? A agricultura familiar, do pequeno e m\u00e9dio agricultor, \u00e9 a principal fonte do alimento que chega a mesa do brasileiro.<\/p>\n<p>E na cidade?<br \/>\nNas cidades as pessoas tem todos os produtos \u00e0 m\u00e3o e simplesmente v\u00e3o a um mercado para comprar tudo o que necessitam. Um legado deixado pela comodidade foi deixarmos de usar os produtos que nossos av\u00f3s usavam e adotarmos apenas aquilo que o Mercado nos oferece. Aprender como os nossos ancestrais se alimentavam pode nos ajudar a entender melhor o grave estado nutricional no qual se encontra a nossa sociedade atual.<br \/>\nMas se nem \u00e9 poss\u00edvel escolher, pois falta o recurso para prover, ser\u00e1 que comer menos resolve? N\u00e3o vai precisar. Mudar a vida \u00e9 poss\u00edvel mesmo numa \u00e1rea urbana. Fazer o cultivo de alimentos como hortali\u00e7as, frutas e legumes \u00e9 bem simples e acompanhar todo o seu processo de crescimento pode ser gratificante. Assim, hortas comunit\u00e1rias podem minorar o problema da seguran\u00e7a alimentar na periferia das grandes cidades, promovendo a colabora\u00e7\u00e3o e fortalecendo as rela\u00e7\u00f5es interpessoais. \u00c9 o quintal de todos!<br \/>\nNo momento atual nossa maior inova\u00e7\u00e3o \u00e9 resolver problemas populacionais, cuidar uns dos outros, e as pessoas agirem de forma cooperativa. <\/p>\n<p>Se a pandemia nos resgatou o sentido de solidariedade e de pertencimento comunit\u00e1rio, est\u00e1 na hora de sermos a mudan\u00e7a. A quest\u00e3o alimentar \u00e9 uma quest\u00e3o que impacta n\u00e3o s\u00f3 o ambiente, mas todo o tecido social. A justi\u00e7a social s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ada quando o equil\u00edbrio ambiental acontecer. Da mesma forma, o equ\u00edbrio ambiental s\u00f3 vir\u00e1 com a justi\u00e7a social. Pois quando se tem fome, como pensar no resto?<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna da Luisa Luisa \u00e9 uma das criadoras do Coletivo C\u00f3rrego da Tiririca. Ela nos brinda com suas considera\u00e7\u00f5es sobre diversos aspectos ligados direta ou indiretamente com nosso projeto. Com o fim da pandemia, o percentual de pessoas que n\u00e3o tem acesso ao alimento tende a se ampliar. 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