{"id":5210,"date":"2021-12-20T10:35:18","date_gmt":"2021-12-20T13:35:18","guid":{"rendered":"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/?p=5210"},"modified":"2021-12-20T11:41:22","modified_gmt":"2021-12-20T14:41:22","slug":"peixes-das-nuvens","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/peixes-das-nuvens\/","title":{"rendered":"Peixes das nuvens do Itaunas"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Coluna da Luisa<\/strong><br \/>\n<em>Luisa \u00e9 uma das criadoras do Coletivo C\u00f3rrego da Tiririca. Ela nos brinda com suas considera\u00e7\u00f5es sobre diversos aspectos ligados direta ou indiretamente com nosso projeto<\/em>.<\/p>\n<hr>\n<hr>\n<p>Existem pequenos peixes que vivem em ambientes tempor\u00e1rios, e que s\u00e3o muito vulner\u00e1veis a supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os peixes das nuvens.<br \/>\nA raz\u00e3o deste nome \u00e9 que em algumas regi\u00f5es do nordeste a popula\u00e7\u00e3o acreditava que os peixes vinham com a \u00e1gua da chuva, pois &#8220;brotavam&#8221; da lama seca, onde n\u00e3o tinha vida alguma.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2021\/12\/Xenurolebias.jpg\" alt=\"\" width=\"588\" height=\"534\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5213\" srcset=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2021\/12\/Xenurolebias.jpg 588w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2021\/12\/Xenurolebias-300x272.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 588px) 100vw, 588px\" \/><br \/>\nAcima, o macho, com tons vermelho-alaranjados e nadadeiras longas e coloridas. Embaixo, a f\u00eamea, com duas m\u00e1culas escuras nos lados do corpo e nadadeiras transparentes. <\/p>\n<p>Estes pequenos peixes, do tamanho de um barrigudinho, tem ciclo de vida anual, ou seja, completam todo o ciclo de vida em ambientes aqu\u00e1ticos tempor\u00e1rios, sendo encontrados em estagio adulto somente em breves per\u00edodos do ano.<\/p>\n<p>Rapidamente crescem e amadurecem durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa e quando vem a estiagem morrem, j\u00e1 que as po\u00e7as que s\u00e3o seu h\u00e1bitat secam. Os ovos permanecem em estado de diapausa, adormecidos, na lama \u00famida do fundo da po\u00e7a e eclodem por ocasi\u00e3o do enchimento das mesmas, na esta\u00e7\u00e3o chuvosa, renovando seu ciclo. Quando chove muito forte, os peixes anuais nos presenteiam com sua magn\u00edfica presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas esses peixes, que vivem em brejos na mata de baixada e na restinga est\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>As pequenas po\u00e7as tempor\u00e1rias nas baixadas costeiras onde vivem est\u00e3o desaparecendo. <\/p>\n<p>Conservar esp\u00e9cies da fauna e da flora passa pela manuten\u00e7\u00e3o de seus ambientes de vida. Todos n\u00f3s podemos cuidar da vida, de perpetuar as esp\u00e9cies amea\u00e7adas para que elas continuem a viver na nossa regi\u00e3o. <\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o ambiental de jovens da comunidade \u00e9 um caminho de tornar mais bem conhecidos os pequenos peixes de riacho. <\/p>\n<p>Os peixes anuais se chamam <em>Xenurolebias myersi<\/em>, mas podemos chama-los de peixe anual do Ita\u00fanas. S\u00e3o as j\u00f3ias do rio Ita\u00fanas!<\/p>\n<p><strong>Caminhos para conservar<\/strong><br \/>\nA substitui\u00e7\u00e3o das matas pela monocultura, principalmente de eucalipto, preocupa n\u00e3o s\u00f3 pela supress\u00e3o em si, mas pela ado\u00e7\u00e3o de defensivos agr\u00edcolas nas planta\u00e7\u00f5es. O veneno escoa para as \u00e1guas contaminando e comprometendo a vida aqu\u00e1tica.<\/p>\n<p>Por isso o di\u00e1logo entre o setor madeireiro e as \u00e1reas protegidas \u00e9 t\u00e3o importante. Buscar solu\u00e7\u00f5es conciliat\u00f3rias, que beneficiem a todos. A empresa sai ganhando por ter protegido a vida aqu\u00e1tica e o meio ambiente se beneficia de uma riqueza viva. Ser\u00e1 este um sonho poss\u00edvel?<\/p>\n<p>O Rio Ita\u00fanas \u00e9 um o\u00e1sis de vida- Vamos proteger suas \u00e1guas priorizando uma agricultura sustent\u00e1vel no vale.<\/p>\n<p>Ao longo do vale do rio Ita\u00fanas as quatro \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o integral (C\u00f3rrego do Veado, C\u00f3rrego Grande, floresta Nacional do Rio Preto e Parque Estadual de Ita\u00fanas) mal chegam aos dois mil hectares de terra. Pela pequena dimens\u00e3o destas \u00e1reas protegidas, as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas em seu entorno, tem enorme impacto, criando s\u00e9rios riscos para que elas exer\u00e7am seu papel na conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As reservas acabam sendo ilhas de biodiversidade isoladas, sem conex\u00e3o entre si, e cercadas de todos os lados por eucalipto, pastagem e pequenas \u00e1reas de fruticultura.<\/p>\n<p>O desmatamento do vale fluvial do Ita\u00fanas e a substitui\u00e7\u00e3o das matas por monoculturas com intensivo uso de veneno compromete a qualidade das \u00e1guas, das quais as reservas s\u00e3o dependentes. <\/p>\n<p>N\u00f3s temos a esperan\u00e7a de poder espalhar a ideia de trazer pr\u00e1ticas agr\u00edcolas ambientalmente amig\u00e1veis ao vale do Ita\u00fanas e dignificar a vida do trabalhador rural. Que passe a ter fartura em sua mesa e melhor qualidade de vida. <\/p>\n<p>Agricultura ambientalmente amig\u00e1vel e educa\u00e7\u00e3o ambiental. Vemos esse como um caminho conciliat\u00f3rio rumo ao desenvolvimento sustent\u00e1vel da regi\u00e3o.<br \/>\nVamos cultivar essa ideia?<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna da Luisa Luisa \u00e9 uma das criadoras do Coletivo C\u00f3rrego da Tiririca. Ela nos brinda com suas considera\u00e7\u00f5es sobre diversos aspectos ligados direta ou indiretamente com nosso projeto. Existem pequenos peixes que vivem em ambientes tempor\u00e1rios, e que s\u00e3o muito vulner\u00e1veis a supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os peixes das nuvens. 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