{"id":9709,"date":"2026-01-27T20:28:40","date_gmt":"2026-01-27T23:28:40","guid":{"rendered":"https:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/?p=9709"},"modified":"2026-01-27T20:28:40","modified_gmt":"2026-01-27T23:28:40","slug":"sob-a-sombra-do-passado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/sob-a-sombra-do-passado\/","title":{"rendered":"Sob a sombra do passado"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Coluna da Luisa<\/strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-3666\" srcset=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-150x150.jpg 150w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-300x300.jpg 300w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-100x100.jpg 100w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa-50x50.jpg 50w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2020\/03\/luisa.jpg 594w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><br \/>\n<em>Luisa \u00e9 uma das criadoras do Coletivo C\u00f3rrego da Tiririca. Ela nos brinda com suas considera\u00e7\u00f5es sobre diversos aspectos ligados direta ou indiretamente com nosso projeto<\/em>.<\/p>\n<hr>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2026\/01\/sob-as-sombras-do-passado.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"244\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9710\" srcset=\"http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2026\/01\/sob-as-sombras-do-passado.jpg 425w, http:\/\/nossacasa.net\/nossosriachos\/tiririca\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2026\/01\/sob-as-sombras-do-passado-300x172.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/p>\n<hr>\n<p><strong>Sob a sombra do passado<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 ver\u00e3o. O assustador ru\u00eddo de motosserras em a\u00e7\u00e3o preocupa os moradores no bairro do Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro. O som s\u00f3 interrompido ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de setenta e uma senten\u00e7as de morte. Em nome de uma expans\u00e3o urbana, que se mede em novas \u00e1reas utilit\u00e1rias de enormes constru\u00e7\u00f5es de concreto. De um dia a outro o verde do outrora Col\u00e9gio Bennett se tornou um vazio de vida. Foi um sil\u00eancio sentido na pele, no sopro quente do vento. Na quietude pesada de onde antes havia o murmurar das folhas e o gargalhar dos p\u00e1ssaros.<\/p>\n<p>A sombra da \u00e1rvore nos convida a estar simplesmente ali. Um lugar onde a cidade, para suas intricadas engrenagens, para fazer uma pausa. Paralisa o t\u00f3rrido sol que espanca no ver\u00e3o.  Mas como podemos render a elas o merecido protagonismo? <\/p>\n<p>As \u00e1rvores, todas elas, tem seu nome. S\u00e3o amendoeiras, jaqueiras, ip\u00eas, pau-ferro, paineiras, palmeiras e tantas outras.  N\u00e3o est\u00e3o isoladas &#8211; formam corredores de vida. Uma pitangueira, juntamente com a goiabeira e mais a aroeira da cal\u00e7ada, pode alimentar sabi\u00e1s, sanha\u00e7os e gamb\u00e1s. Esses animais, por sua vez, dispersam sementes, polinizam flores e mant\u00eam uma intrincada teia viva funcionando em meio a cidade. Quando um conjunto de \u00e1rvores adultas vai ao ch\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a vegeta\u00e7\u00e3o que \u00e9 suprimida. Se destroem ninhos, ambientes, uma verdadeira &#8220;pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o&#8221;, rompendo a rede. E n\u00f3s tamb\u00e9m precisamos delas. Sejam elas nativas ou ex\u00f3ticas, isso n\u00e3o importa. N\u00f3s cidad\u00e3os do mundo tamb\u00e9m o somos. Elas s\u00e3o a terapia gratuita que acalma, o ar-condicionado que n\u00e3o pesa na conta de luz. Se n\u00e3o for para manter a sanidade mental de quem vagueia por caminhos arborizados, que seja para minorar os efeitos do planeta que esquenta.<\/p>\n<p>E a hist\u00f3ria se repete. Do outro lado da ba\u00eda de Guanabara tamb\u00e9m o arborizado terreno do col\u00e9gio Miraflores no bairro de Icara\u00ed, na vizinha Niter\u00f3i tamb\u00e9m foi condenado a virar um edif\u00edcio alto. Nasci no Rio, na Tijuca, e vi tudo isso acontecer. Mas n\u00e3o vou me calar.<\/p>\n<p>Porque o destino das cidades est\u00e1 no cinza do concreto? Ser\u00e1 que os arquitetos do s\u00e9culo XXI n\u00e3o podem mesclar estruturas utilit\u00e1rias e ao mesmo tempo verdes? Jardins de chuva? Parques lineares as margens dos c\u00f3rregos? Tipo, cidades esponja, que tal? <\/p>\n<p>A dor da perda das \u00e1rvores no Flamengo \u00e9 real e necess\u00e1ria. D\u00f3i muito. Mas n\u00e3o ser\u00e1 em v\u00e3o. Novas pol\u00edticas p\u00fablicas alusivas aos direitos da natureza est\u00e3o por vir. Que a lembran\u00e7a desse conjunto de \u00e1rvores nos fa\u00e7a olhar com renovada gratid\u00e3o e vigil\u00e2ncia para as oportunidades no pr\u00f3prio bairro. E, sobretudo, que nos mantenha atentos para exigir e construir novos espa\u00e7os verdes. Porque a verdadeira cr\u00f4nica da cidade se escreve nas ra\u00edzes que firmam o ch\u00e3o, nos galhos que quebram o vento, nos nossos passos sobre o solo de folhas e flores e sobretudo nas sombras, sempre generosas, que nos convidam a parar, respirar e seguir adiante.\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna da Luisa Luisa \u00e9 uma das criadoras do Coletivo C\u00f3rrego da Tiririca. Ela nos brinda com suas considera\u00e7\u00f5es sobre diversos aspectos ligados direta ou indiretamente com nosso projeto. Sob a sombra do passado \u00c9 ver\u00e3o. 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