A Ideia

Print Friendly, PDF & Email

A Ideia (Augusto dos Anjos)

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica …

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica

Publicações relacionadas

Poemetos Poemetos (Paulo Leminski) I É quando a vida vase É quando como quase....
Os bilhetes por favor Os bilhetes por favor (David Hebert Lawrence) Há no centro da Inglat...
Ovos da páscoa Ovos da páscoa (Adélia Prado) O ovo não cabe em si, túrgido de promessa, a n...
Manhã Manhã (Ferreira Gullar) As portas batem as toalhas voam o dia se esbaqueia ...

Deixe uma resposta