Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (1888-1935)
Em 13 de junho de 1888, no Largo de São Carlos, em Lisboa, nasce Fernando Antônio Nogueira Pessoa. Em 1893 com a morte de seu pai, com tuberculose, a família é obrigada a leiloar parte de seus bens.

Chevalier des Pas é seu primeiro heterônimo, criado um ano após a morte de seu pai. No ano seguinte ele escreve o seu primeiro poema, intitulado À Minha Querida Mamã. A mãe casa por procuração com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban.

Em 1897 faz o curso primário na escola de freiras irlandesas da West Street. No mesmo instituto, faz a primeira comunhão. Dois anos depois ingressa na Durban High School, onde permanecerá durante três anos e será um dos primeiros alunos da turma. Cria o heterônimo Alexander Search.

Aprova com distinção no seu primeiro exame em 1901, quando escreve os primeiros poemas em inglês. A família retorna a Lisboa em junho de 1902. Em setembro, Pessoa volta sozinho para a África do Sul, one tenta escrever romances em inglês.

Seu retorno definitivo para Lisboa ocorre em 1905, onde passa a viver com uma tia. Continua a escrever poemas em inglês. No anos seguinte matricula-se no Curso Superior de Letras. Com o retorno da mãe e o padrasto a Lisboa, Pessoa volta a morar com eles até 1907 quando os pais retornam mais uma vez para Durban. Pessoa fica morando com a avó que lhe deixa uma pequena herança ao falecer. Desiste do Curso de Letras e no ano seguinte começa a trabalhar como correspondente estrangeiro em escritórios comerciais.

Em 1912, Pessoa estréia como crítico literário, provocando polêmicas junto à intelectualidade portuguesa. E nos anos seguintes sua produção literária vai ser intensa. Escreve O Marinheiro (1913). Cria os heterônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Escreve os poemas de O Guardador de Rebanhos e também O Livro do Desassossego (1914). Em março de 1915 sai o primeiro número de Orpheu.

Em 1920 conhece Ophélia Queiroz e sua mãe e seus irmãos voltam para Portugal. Em outubro, atravessa uma grande depressão, que o leva a pensar em internar-se numa casa de sáude. Rompe com Ophélia. No ano seguinte funda a editora Olisipo, onde publica poemas em inglês.

Sua mãe morre em 17 de março de 1925. Retoma seu relacionamento com Ophélia em 1929 até 1931 quando voltam a separar-se. Em 1934 publica mensagem e em 29 de novembro do ano seguinte é internado com o diagnóstico de cólica hepática. Morre no dia seguinte.

Quatro Personalidades Pessoanas

Fernando Pessoa não só criou seus heterônimos como estabeleceu para cada um deles, uma biografia própria. É através destas biografias que podemos verificar quão diferentes eles se apresentam.

Fernando Pessoa
(O Ortônimo)

“Há sem dúvida quem ame o infinito.”

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu às 3 horas da tarde do dia 13 de junho de 1888, no 4º andar de um prédio do Largo de São Carlos em Lisboa. Faleceu no dia 30 de novembro de 1935 no hospital de São Luís em Lisboa, acometido de perturbações hepáticas.

O ortônimo escreveu Mensagem, em 1935, onde se revela nacionalista místico. Também escreveu. Quinto Império, onde transparece seu sonho sebastianista e monarquista. Escreveu ainda: Cancioneiro, onde se apresenta lírico e desencantado; Poemas Dramáticos; e 35 Sonnets, onde se revela ocultista, abúlico, amante do mistério.

Através da poética, revela-se dialético, ao exercer, ao exercer a intelectualização da sensação; paúlico, quando trabalha um simbolismo lúcido e consciente, um passo à frente do saudosismo; interseccionista, quando aperfeiçoa mais o simbolismo através da subjetividade excessiva, da síntese elevada ao máximo e através do exagero da atitude estática e da mescla de sensações; lúcido, e angustiado por ser lúcido; e Platônico: Cultivador do vago, do complexo e do sutil. Mais que os heterônimos, o ortônimo tem uma atitude perspicaz de ver as coisas.
Também tende para o gosto pelo que é maneirista, conceptista, pelo uso do paradoxo, daí apresentar-se tradicional e moderno ao mesmo tempo.

Segundo o Professor Linhares Filho, as duas principais características da sua modernidade seriam: a consciência do fazer artístico e a prevalência do apolíneo sobre o dionisíaco, no elaborar-se poético.

Sensacionista, o ortônimo nos mostra como sentir a paisagem, pois, para ele, todo objetivo é uma sensação nossa, toda arte é conversão da sensação em objeto, toda arte é conversão da sensação em sensação.

O próprio Pessoa apresenta cinco condições ou qualidades para entender os símbolos do ortônimo: a simpatia, a intuição, a inteligência, a compreensão e a graça. Depois conclui que:

“Todo estado de alma é uma paisagem.
Uma tristeza é um lago morto dentro de nós.
Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior
e do nosso espírito, e sendo nosso espírito uma paisagem,
temos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens.”

Como se vê, um espírito tão rico e até paradoxal como o de Pessoa não podia se resumir numa só personalidade. Daí o surgimento de muitos heterônimos, principalmente o de Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos. (veja biografia destes heterônimos.)

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