Paul Verlaine

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Paul Verlaine (1844-1896)


POEMAS PUBLICADOS

Poeta francês, nascido em 1844, de vida considerada atribulada e escandalosa, cuja poesia reflete a contradição entre uma conduta deplorável e um ideal quase primitivo de pureza e misticismo. Verlaine nasceu em Metz e fez seus estudos secundários em Paris, entrando depois, como funcionário, para a Prefeitura. Já nessa época, frequentava a boêmia dos cafés parisienses, sendo um funcionário relapso e pouco assíduo. É então que descobre a poesia.

Poèmes Saturniens (“Poemas Saturninos, 1866) é sua primeira coletânea publicada. Verlaine professa de início a impassibilidade parnasiana, mas já seu instinto poético o conduz a dar maior agilidade ao alexandrino, a utilizar os ritmos ímpares a sugerir vagos estados por estrofes vaporosas. Poucas obras na história da poesia francesa são mais sinceras e comoventes.

Inquieto e instável, o poeta conquista por algum tempo o equilíbrio e paz, quando se casa em 1870 com Mathilde Meauté. Porém sucedem-se logo os mal entendidos conjugais e Verlaine retoma seus antigos hábitos boêmios. Liga-se então ao jovem poeta Rimbaud e em sua companhia perambula pela Inglaterra e a Bélgica. Em julho de 1873, em Bruxelas, sob a influência da bebida, atira duas vezes no amigo, e é preso. Durante os dois anos de prisão em Mons vem a saber que a esposa pedira divórcio. Profundamente abalado, Verlaine se converte a fé católica. Testemunhas dessa fase de crise e conversão, são seus dois livros Romances sem palavras de 1874 e Sabedoria de 1881. Também é flagrante a influência do gênio de Rimbaud nos temas e nos ritmos. Foi admirado pelos simbolistas que o endeusaram, embora o próprio poeta se quisesse manter independente de qualquer corrente literária.

No final de sua vida, o poeta se esgota e o homem se degrada. Apesar da celebridade e do respeito da novas gerações que o consagram como o “Príncipe dos Poetas”, ele vive miseravelmente perambulando de hospital em hospital e de café em café até sua morte em 1896.

ARTE POÉTICA DE PAUL VERLAINE

por Gilberto Mendonça Teles

Paul Verlaine (1844-1896) estreou com sete poemas no primeiro número do Parnasse contemporain (1866), coleção que inaugurou o parnasianimo. No mesmo ano publicou seu primeiro livro, Poèmes saturniens, em que, apesar da acentuada influência de Baudelaire, a começar pelo título do livro, já se pressentiam alguns traços que, posteriormente desenvolvidos, iriam contribuir para a definição do simbolismo. Pois é na direção do simbolismo que se vai produzir a melhor poesia de Verlaine, como a de Fêtes galantes (1869), Romances sans paroles (1874), Sagesse (1881) e Jadis et naguère (1884).

A década 1870-80 foi de grande importância para a definição de sua poesia. Ao lado da crescente ascendência de Baudelaire, considerado mestre pela nova geração, houve o aparecimento de Rimbaud. Ainda que a glória de Rimbaud só apareça a partir de 1855, é inegável que ele teve decisiva influência na poesia de Verlaine. Foi durante o ano de prisão em Bruxelas que Verlaine conseguiu imprimir novos rumos, epirituais e estéticos à sua produção poética, procurando uma linguagem que não ficou apenas na poesia, chegando também a manifestar-se criticamente em metalinguagem, como no poema “Art poétique”, escrito em 1874 e só publicado dez anos depois em Jadis et naguère, título aliás bastante sugestivo para a nova dimensão estética que seu livro iria auxiliar a construir.

Parece que a gênese da “Art poètique” foi, além da reviravolta espiritual de Verlaine, o artigo que Brémont escreveu sobre o Romances sans paroles, editado quando o poeta cumpria a sua pena em Bruxelas. O referido artigo, severo mas atencioso, intitulava-se “C’est encore la musique” (“É ainda sobre música”), frase que teria motivado o verso inicial do poema de Verlaine (“De la musique avant toute chose”), o qual se repete, ligieramente modificado, no início da penúltima estrofe (“De la musique encore et toutjours!”). Na verdade, a “Art poétique”, antes da edição em livro foi publicada pela primeira vez em novembro de 1882, no Paris-moderne. Recebeu dura crítica de Charles Morice, o que valeu a resposta de Verlaine que se defendia da acusação de hermetismo e de menosprezo à rima, numa polêmica que serviu para tornar conhecido o nome do poeta, cujas Fêtes galantes haviam passado despercebidas do público, entusiasmado na época com o sucesso de um livro de François Coppée. Logo depois o poeta passa a colaborar na revista onde havia saído a crítica (La nouvelle rive gauche), tornando-se amigo de Morice e, em agradecimento talvez pela agitação agora em torno do seu nome, dedica-lhe a “Art poétique” ao publicá-la em livro dois anos depois.

Na opinião de Verlaine, num artigo de 1890, a sua Art poétique deveria ser vista apenas como uma canção . Não se sabe se o poeta estava sendo irônico, tal como o nosso Carlos Drummond de Andrade quando disse que o seu poema “No meio do caminho” era apenas uma repetição de vocábulos. Sabe-se que dentro do espírito da época, a palavra canção possuía sua conotação musical inteiramente de acordo com as tendências expressionistas que se queriam implantar. Daí porque o seu poema foi o ponto de partida da funda aventura simbolista. Superando os padrões parnasianos e desenvolvendo o legado inventivo de Rimbaud, seu texto passou imediatamente a ser estudado e assimilado por jovens poetas, repartidos nessa altura entre Verlaine e Mallarmé, mas todos dentro do pessimismo decadentista que já começava a se definir na direção do simbolismo.

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