A Um Epilético

Print Friendly, PDF & Email

A Um Epilético (Augusto dos Anjos)

Perguntarás quem sou?! — ao suor que te unta,
À dor que os queixos te arrebenta, aos trismos
Da epilepsia horrenda, e nos abismos
Ninguém responderá tua pergunta!

Reclamada por negros magnetismos
Sua cabeça há de cair, defunta
Na aterradora operação conjunta
Da tarefa animal dos organismos!

Mas após o antropófago alambique
Em que é mister todo o teu corpo fique
Reduzido a excreções de sânie e lodo,

Como a luz que arde, virgem, num monturo,
Tu hás de entrar completamente puro
Para a circulação do Grande Todo!

Publicações relacionadas

Os deslimites da palavra Os deslimites da palavra (Manoel de Barros) Ando muito completo de vazios. M...
O inútil luar O inútil luar (Manuel Bandeira) É noite. A Lua, ardente e terna, Verte na so...
À Cidade da Bahia À Cidade da Bahia (Gregório de Matos) Triste Bahia! Ó quão dessemelhante Est...
Este é o prólogo Este é o prólogo (Federico Garcia Lorca) (7 de a...

Deixe uma resposta