A Um Gérmen

Print Friendly, PDF & Email

A Um Gérmen (Augusto dos Anjos)

Começaste a existir, geléia crua,
E hás de crescer, no teu silêncio, tanto
Que, é natural, ainda algum dia, o pranto
Das tuas concreções plásmicas flua!

A água, em conjugação com a terra nua,
Vence o granito, deprimindo-o … O espanto
Convulsiona os espíritos, e, entanto,
Teu desenvolvimento continua!

Antes, geléia humana, não progridas
E em retrogradações indefinidas,
Volvas à antiga inexistência calma!…

Antes o Nada, oh! gérmen, que ainda haveres
De atingir, como o gérmen de outros seres,
Ao supremo infortúnio de ser alma!

Publicações relacionadas

Perfume exótico Perfume exótico (Charles Pierre Baudelaire) Tradução de Osório Dutra Quan...
Natureza Íntima Natureza Íntima (Augusto dos Anjos) Ao filósofo Farias Brito Cansada de obse...
A privada A privada (Bertold Brecht) É um lugar onde nos sentimos bem Tendo acima as e...
Judia Judia (Cruz e Souza) Ah! Judia! Judia impenitente! De erma e de t...

Deixe uma resposta