Clarice Lispector

Clarice Lispector (1925-1977)
Nasceu em 27 de junho de 1908, em Cordisburgo, Minas Gerais. Passou a infância no centro-norte de seu estado natal, onde o pai exercia atividades ligadas à pecuária. Cursou o secundário e a faculdade de Medicina em Belo Horizonte. Graduado, trabalhou em várias cidades do interior mineiro, sempre demonstrando profundo interesse pela natureza, por bichos e plantas, pelos sertanejos e pelo estudo de línguas (estudou sozinho alemão e russo). Em 1934, iniciou carreira diplomática, prestando concurso para o Ministério do Exterior – serviu na Alemanha durante a II Guerra Mundial e posteriormente na Colômbia e na França. Em 1958, foi nomeado ministro; é dessa época o reconhecimento da genialidade do escritor, em conseqüência da publicação de Corpo de baile e Grande sertão: veredas, ambos de 1956. Em 16 de novembro de 1967, tomou posse na Academia Brasileira de Letras; três dias depois, em 19 de novembro, morreu no Rio de Janeiro.Clarice por ela mesma:
“Nasci na Ucrânia, terra de meus pais. Nasci numa aldeia chamada Tchetchelnik, que não figura no mapa de tão pequena e insignificante. Quando minha mãe estava grávida de mim, meus pais já estavam se encaminhando para os Estados Unidos ou Brasil, ainda não haviam decidido: pararam em Tchetchelnik para eu nascer e prosseguiram viagem. Cheguei ao Brasil com apenas dois meses de idade.
Sou brasileira naturalizada, quando, por uma questão de meses, poderia ser brasileira nata. Fiz da língua portuguesa a minha vida interior, o meu pensamento mais íntimo, usei-a para palavras de amor. Comecei a escrever pequenos contos logo que me alfabetizaram, e escrevi-os em português, é claro. Criei-me em Recife. E nasci para escrever. Minhas liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo.”
VIDA E OBRA
Clarice nasceu em 10 de dezembro de 1925. Morou em Recife até os 12 anos de idade, tempo que lhe deixou muitas recordações.
A família Lispector veio para o Rio de Janeiro em 1937 e dos treze aos quinze anos Clarice frequentava diariamente a Biblioteca da Rua Rodrigo Silva, onde lia todos os livros com títulos bonitos. “O lobo da estepe”de Herman Hesse, um dos escolhidos, influenciou profundamente sua filosofia de vida.
Com apenas 18 anos, teve uma surpreendente aceitação da crítica: “Perto do Coração Selvagem” foi vencedor do prêmio Graça Aranha em 1944.
Também em 1944 iniciou sua vida de embaixatriz após se tornar bacharel em direito pela Faculdade Nacional e casar-se com o diplomata Maury Gurgel Valente. Até 1960 morou no exterior, onde nasceram seus dois filhos. Morreu no Rio de Janeiro em dezembro de 1977.
Além de crônicas e livros infantis, escreveu: ROMANCES – “Perto do coração selvagem”(1944); “O lustre”(1946); “A cidade sitiada”(1949); “A maçã no escuro”(1961); “Paixão Segundo G.H. (1964); “Uma aprendizagem ou O livro dos Prazeres”(1969); “Água viva”(1973), “A Hora da Estrela”(1977);CONTOS: “Alguns contos”(1952); “Laços de Família”(1960; “A legião estrangeira”(1964; “Felicidade Clandestina”( 1971); ” Imitação da Rosa”(1973); “A via-crucis do corpo”(1974).

Publicações relacionadas

La Saeta La Saeta (Antonio Machado) ¿Quién me presta una escalera, (Quem me empresta...
Contrastes Contrastes (Augusto dos Anjos) A antítese do novo e do obsoleto, O Amor e a ...
Anseio Anseio (Augusto dos Anjos) Quem sou eu, neste ergástulo das vidas Danadament...
Rafael Alberti Rafael Alberti (1902-1999) Nasceu em Puerto de Santa María (na baía de Cadiz)...

Deixe uma resposta