Vozes da Morte

Print Friendly, PDF & Email

Vozes da Morte (Augusto dos Anjos)

Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!

Publicações relacionadas

Cancion del mariquita Cancion del mariquita (Federico Garcia Lorca) El mariquita se peina en su p...
Solilóquio de um Visionário Solilóquio de um Visionário (Augusto dos Anjos) Para desvirginar o labirinto ...
Uma Vida e Seu Ofício Uma Vida e Seu Ofício (Thiago de Mello Por Erorci Santana Claridão e antem...
Elogio da Dialética Elogio da Dialética (Bertold Brecht) A injustiça passeia pelas ruas com passo...

Deixe uma resposta