Amor de tarde

Print Friendly, PDF & Email

Amor de tarde (Mario Benedetti)

Do livro “Poemas do escritório”
Tradução de Julio Luís Gehlen

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são quatro
e termino a planilha e penso 10 minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e faço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente
e dizer “e aí?” e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono.

Publicações relacionadas

Sobre la poesía Sobre la poesía (Juan Gelman) habría un par de cosas que decir/ que nadie l...
Bate a luz no cimo… Bate a luz no cimo... (Fernando Pessoa) Bate a luz no cimo Da montanha, vê....
Poema começado no fim Poema começado no fim (Adélia Prado) Um corpo quer outro corpo. Uma alma que...
Quem me Dera Quem me Dera (Alberto Caeiro) De O ...

Deixe uma resposta