Grande desejo

Print Friendly, PDF & Email

Grande desejo (Adélia Prado)

Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou é mulher do povo, mãe de Filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar o cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai,
quando é bom, fico bruta,
as sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do meu estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar; e chorar,
requintada e esquisita como uma dama.

Publicações relacionadas

O cântico da terra O cântico da terra (Cora Coralina) Eu sou a terra, eu sou a vida. Do meu bar...
Nimbos Nimbos (Augusto dos Anjos) Nimbos de bronze que empanais escuros O santuário...
Canção da mais alta torre Canção da mais alta torre (Arthur Rimbaud) Tradução de...
O Buraco do Espelho O Buraco do Espelho (Arnaldo Antunes) o buraco do espelho está fechado agora...

Deixe uma resposta