Lésbia

Print Friendly, PDF & Email

Lésbia (Cruz e Souza)

Cróton selvagem, tinhorão lascivo,
Planta mortal, carnívora, sangrenta,
Da tua carne báquica rebenta
A vermelha explosão de um sangue vivo.

Nesse lábio mordente e convulsivo,
Ri, ri risadas de expressão violenta
O Amor, trágico e triste, e passe, lenta,
A morte, o espasmo gélido, aflitivo…

Lésbia nervosa, fascinante e doente,
Cruel e demoníaca serpente
Das flamejantes atracões do gozo.

Dos teus seios acídulos, amargos,
Fluem capros aromas e os letargos,
Os ópios de um luar tuberculoso…

Publicações relacionadas

Poema da Gare de Astapovo Poema da Gare de Astapovo (Mário Quintana) O velho Leon Tolstoi fugiu de casa...
Depois da Orgia Depois da Orgia (Augusto dos Anjos) O prazer que na orgia a hetaíra goza Pro...
A Noite A Noite (Augusto dos Anjos) A nebulosidade ameaçadora Tolda o éter, mancha a...
O cônego Filipe O cônego Filipe (Álvares de Azevedo) O cônego Filipe! Ó nome eterno! Cinzas...

Deixe uma resposta