Múmia

Print Friendly, PDF & Email

Múmia (Cruz e Souza)

Múmia de sangue e lama e terra e treva,
Podridão feita deusa de granito,
Que surges dos mistérios do Infinito
Amamentada na lascívia de Eva.

Tua boca voraz se farta e ceva
Na carne e espalhas o terror maldito,
O grito humano, o doloroso grito
Que um vento estranho para és limbos leva.

Báratros, criptas, dédalos atrozes
Escancaram-se aos tétricos, ferozes
Uivos tremendos com luxúria e cio…

Ris a punhais de frígidos sarcasmos
E deve dar congélidos espasmos
O teu beijo de pedra horrendo e frio!…

Publicações relacionadas

Solemnia verba Solemnia verba (Antero de Quental) ...
Dolências (Eu fui cadáver, ant... Dolências (Eu fui cadáver, antes de viver!) (Augusto dos Anjos) Eu fui cadáve...
Soneto da Fidelidade Soneto da Fidelidade (Vinicius de Moraes De tudo, ao meu amor serei atento ...
Soma Soma (Arnaldo Antunes) mais que lento: parado mais que parado: morto mais...

Deixe uma resposta