O dorminhoco do vale

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O dorminhoco do vale (Arthur Rimbaud)

Tradução de Rodrigo Solano

Era um recanto verde onde um ribeiro canta,
prendendo às ervas seus farrapos de cristal
e rebrilhando ao sol que, loiro, se levanta.
Era um pequeno e verde e luminoso vale.

Sobre a erva, um soldado, a boca aberta, inclina
a fronte nua sobre os verdes agriões,
Dorme. E sobre o seu leito estende-se a neblina
e vai chorar a luz seus macios clarões.

Os pés nos juncos, face pálida e risonha,
parece uma criança adormecida; e sonha…
Aquece-o, Terra-Mãe! E acalenta-o com jeito!

Mãos sobre o seio, em cruz, dorme tranqüilamente;
nem os beijos da luz, nem os perfumes sente…
E dois cravos de sangue abrem-lhe sobre o peito.

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