Afetos

Print Friendly, PDF & Email

Afetos (Augusto dos Anjos)

Bendito o amor que infiltra n’alma o enleio
E santifica da existência o cardo,
– Amor que é mirra e que é sagrado nardo,
Turificando a lenguidez dum seio!

O amor, porém, que da Desgraça veio
Maldito seja, seja como o fardo
Desta descrença funeral em que ardo
E com que o fogo da paixão ateio!

Funebulescamente a alma se atira
À luta das paixões, e, como a Aurora
Que ao beijo vesperal anseia e expira,

Desce para a alma o ocaso da Carícia
Ora em sonhos de Dor, supremos, e ora
Em contorções supremas de Delícia!

Publicações relacionadas

Turning point Turning point (Mario Benedetti) Do livro "Inv...
Poetas Poetas (Florbela Espanca) Ai as almas dos poetas Não as entende ninguém; Sã...
Aqui onde se espera Aqui onde se espera (Fernando Pessoa) Aqui onde se espera - Sossego, só sos...
Outros Outros (Oscar Wilde) "uma coisa não se torna necessariamente verdadeira por a...

Deixe uma resposta