País depois

Print Friendly, PDF & Email

País depois (Mario Benedetti)

Do livro “Perguntas ao acaso”
Tradução de Julio Luís Gehlen

Depois de tanta quietude tanto silêncio
o país gira como um pião
chega à beira das decisões
das falências e do otimismo
cada um leva seu ramalhete de desejos
e o atira ao rio grande como mar
em homenagem aos que ficaram no caminho

depois de tanta alucinação tanto agito
o país fala sem modorra e sem mordaça
chega à história com enorme cautela
e põe novos pontos sobre atávicos is
cada um afina assim seus desânimos
e os solta no ar da noite côncava
cm homenagem aos que ficaram no caminho

depois de tanta palavra tanto sangue
o país não perdeu o desejo de olhar-se
chega ao espelho como a um país alterno
pergunta pelas fronteiras e pelos jasmins
cada um traz algum sonho proibido
e o deixa flutuando nas primeiras luzes
em homenagem aos que ficaram no caminho

depois de tanta aprendizagem em rebeldia
o país gostaria de ensinar algo a alguém
pisa o futuro agitando destrezas
se informa sobre preços e códigos
e enfim cada um inventa novos rumos
reflexões esperanças coragem
em homenagem aos que ficaram no caminho.

Publicações relacionadas

Apocalipse Apocalipse (Augusto dos Anjos) Minha divinatória Arte ultrapassa os séculos ...
Aos Meus Filhos Aos Meus Filhos (Augusto dos Anjos) Na intermitência da vital canseira, Sois...
Vontade de dormir Vontade de dormir (Mário de Sá Carneiro) Fios de oiro puxam por mim a soergu...
Dispersão Dispersão (Mário de Sá Carneiro) Perdi-me dentro de mim Porque eu era labir...

Deixe uma resposta