Milton Santos por Maria Adélia

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Milton por Maria Adélia

(Milton Santos)
Por ouvir dizer e por querer saber:
conversando com Milton


Maria Adélia Aparecida de Souza




Apesar daquilo que deveria obviamente revelar a sua cor negra e o que
significa ser negro no Brasil, há um grande mistério e uma enorme curiosidade de
todos por saber, finalmente, quem é Milton Santos. Em conversas, Milton sempre
faz referência a um tio que conhecia grego, à refinada educação e o rigor na
formação do seu “comportamento” social e dos ‘bons modos’ que recebeu de seus
pais. Este fato é inusitado, especialmente em São Paulo, quando confrontado com
a imagem que aqui se tem dos negros…


Milton é extremamente generoso com amigos, alguns (poucos) mestres aos quais
também faz insistentes referências a algo de bom que eles lhe ensinaram ‘para
viver’. Como característica da baianidade, tem sempre uma fábula, uma história a
contar sobre cada um deles que estão ou estiveram na Bahia, na França, ou em
algum lugar do mundo. Mas o que impressiona em Milton é exatamente o seu talento
para, refinadamente, apreender sobre a vida, com rigor absoluto e recriando-a
com esse mesmo rigor, porém com uma energia, vontade e alegria contagiantes.


Apesar da sua marca e identidade sempre presentes (afinal o seu estilo é
inconfundível no mundo todo), Milton sempre se refere a esses personagens,
dando-lhes importância. Para mim, Milton é o que é, por ele mesmo. Mas insiste
sempre que Tricart foi seu mestre. Impossível questionar essa influência. –
Aprendi com Tricart o rigor, o gosto de discutir. A capacidade de contrariar
aquele que trabalha comigo…


Afinal, quem é Milton Santos? Certa vez me disse que vem de uma época em que,
para prosseguir na vida, os negros quase precisavam metamorfosear-se em brancos.
Milton para mim é branco na aparência mas é negro em tudo mais: na inteligência
viva, na consciência sobre sua própria negritude, na sua forma requintada e
sinuosa de pensar, de relacionar-se, enfim de ser. Milton não é linear, como são
so brancos, com sua arrogância e tranquilidade milenar dada pela pretensa
superioridade racial. Daí, para mim, Milton Santos ser Milton Santos, exatamente
porque é negro e não branco, superando, no meu entender, todos aqueles de quem
se julga aprendiz.


É curiosa sua ligação com a Bahia. Ela é uma referência permanente. Isto se
deve provavelmente mais ao fato de ter vivido lá a melhor parte de sua vida,
forjado seus relacionamentos duradouros, iniciado sua vida profissonal,
acadêmica, enfim, seus laços importantes. Ou será, mais uma vez, anegritude o
liame dessa inquebrável relação? Então por que SãoPaulo para permanecer? São
Paulo é, penso eu, a razão de Rafael. Mas também a maior facilidade para o
prosseguimento dos conataros com o mundo. Apesar da Bahia…dos netos , de
Miltinho.


Mas Milton tem uma intrigante maneira de viver e uma afeição que se
transbordam em amizades e as ata, em todos os lugares. Por isso pode viver (e
viveu), em muitos cantos do mundo. Mas sempre o retorno à sua querida Bahia. Mas
há também uma relação forte com a França. E isto tem a ver com sua formação, com
a educação legada pelos pais, desde sempre. Tendo saído de casa aos dez anos de
idade para estudar como interno em colégio frequentado pelos filhos de judeus,
de espanhóis, levou consigo pela vida afora aquela herança, que se unirá mais
tarde à cultura francesa. Assim, segundo ele, vai forjando sua personalidade com
uma dada forma de individualismo, melhor dizendo, de independência pessoal ou,
como diz Milton, de desconfiança. Também, a sua capacidade de solidão, o ajudou
muito na vida. E tudo isso começou quando menino, em um colégio da Bahia.


Mas quem é Milton Santos?


Milton vem de uma família cujos avós paternos eram de origem humilde,
possivelmente escravos; o avô agricultor urbano e a avó vendia verduras pelas
ruas. Diferentemente do lado materno. Do avô, lembra-se pouco. A memória do avô
é aquela do retrato na sala, das conversas sobre a amizade, com Rui Barbosa e
que também possuía bens. O bisavô, maestro, era dono de escravos. A mãe, mulher
extremamente inteligente, bonita, com enorme vocação para a organização material
da vida. O pai, mais cotemplativo, seduzido pela atividade intelectual. Estes
foram, sem dúvida os ingredientes para uma harmonia muito grande na família
Santos.


Mas Milton revela que em sua família não se falava muito de ‘para trás’. Não
havia essa preocupação com os antepassados. Talvez isto tenha de ver com sua
enorme preocupação com o futuro que, segundo ele, é o norte de tudo o que faz. –
“Para que olhar para trás? Estou muito contente de ser filho de quem fui, neto
de quem fui. Mas isto não me ajudaria na construção nem da minha personalidade,
nem de um lugar…”


Nestas lições sobre o olhar para trás, sobre suas origens Milton tem opinião
que se junta a de Darcy Ribeiro. Segundo ele no Brasil há sempre uma
preocupação, e muito especialmente em São Paulo, de se conhecer as origens. Você
é filho de quem? De que família você é, pergunta-se sempre. Rindo muito, Milton
exclama: “- Imagine, até para mim, perguntavam na Bahia, de que família eu era!”
Mas na Bahia, esse é um questionamento diferente daquele aqui do Sul. Lá, essa
questão era normalmente feita entre os brancos, jamais entre brancos e negros.
Na Bahia isso tem mais a ver com posição social, ao passo que aqui no Sul ela
significa a recusa ao Brasil. É prazeroso e esnobe dizer-se filho de alemão, de
italiano.


Darcy Ribeiro chocou os paulistas e os sulistas quanto se refeiu também a
essa recusa ao Brasil. A recusa à mistura brasileira. Há a busca de uma
‘branquitude, de uma branquidade autêntica que o português não confere’. Vide os
preconceitos revelados a todo instante com relação aos brasileiros pelo mundo
afora. Muitos ainda não nos consideram como muitos brancos. Assim, português e
espanhol, é a África. “- Mas minha família me educou para mandar.” Talvez aí
esteja o seu traço branco. Esta foi a grande preocupação de seus pais, dar-lhe
uma educação para o mando e não para ser mandado. Ser alguém que manda. Esta
era, sem dúvida, a maneira de seus pais verem a sociedade. E, para mandar, diz
Milton, você tem de parecer com os que mandam – a sociedade branca.


Em sua casa, quando menino na Bahia, não eram os brancos que vinham. Eram
negros de um certo nível intelectual ou social e alguns poucos brancos com um
nível parecido. Por ter saído muito cedo de casa, não desenvolveu como seu irmão
Nailton Santos uma maior proximidade com a família. É o que ele chama de
produção da individualidade pela proibição do afeto familiar. Nailton é mais
próximo da família, é mais capaz de se manifestar. Em Milton esta
impossibilidade gerou um traco seu: a desconfiança.


É bom lembrar que a permanente baianidade em Milton se deve a uma série de
fatores. A Bahia, na sua juventude, como ele mesmo diz, era uma “ilha”. Era uma
cultura não industrializada. Então, diferentemente de São Paulo que atrai gente
do mundo todo, na Bahia, a cultura é que será o grande caldeador, uma cultura
secular que se mantinha e que vai chegar até mesmo depois dos anos cinquenta.
Essa cultura possibilita a criação de relações muito fortes e que tem, até hoje,
o apoio e a imposição pela burguesia. Aí nasce a sutileza do preconceito racial
na Bahia, o qual só recentemente começa a ser rompido. Mas há algo mais na
baianidade de Milton: sua fina ironia. Entender o texto de Milton é algo
fantástico. A ironia se mistura com as metáforas. Sinuoso, irônico, metafórico,
sábio, profundo, cordial, sutil. Este é Milton Santos.


O desprezo pelo poder


Curiosa é a relação de Milton com o poder. O poder instituído, digamos assim.
Milton exerce com mestria um outro tipo de poder, ditado por seu próprio
talento. Jamais me esquecerei de uma de suas frases lapidares: “não é o poder
que importa, mas o prestígio e a prosperidade.” Quando jornalista, por
conseguinte como político, todos temiam a sua pena. O jornal foi o primeiro
inspirador da sua autoconfiança e consequentemente a sua lida com o poder.
Tratava-se de um poder local, com valor muito precário, efêmero. Mas claro está
que a visão de mundo já começava a ser delineada. Mas como perceber o mundo no
seu processo de reflexão? Milton já elaborava uma das suas categorias de análise
mestras, aquela de formação socioespacial que viria a formular muito tempo
depois, na década de setenta. A lucidez de Milton no trato com o poder sem
dúvida jamais permitiu que se equivocasse a esse respeito. Ela não permitiu
aquilo que é extremamente usual para todos os que já o exerceram: a dificuldade
de viver sem o poder instituído.


Curiosas histórias são contadas por ele quando do exercício de uma cargo
político importante no governo Jânio Quadros. Não fora essa sua lucidez sobre o
poder e na sua perspicácia em interpretar até mesmo os telefonemas do então
presidente, sua vida teria sido bastante diferente após a renúncia de Jânio.
Imaginem os leitores o que significa, em face das características da Bahia,
estar repentinamente desprovido da função política! Mas a política é fascinante
e sempre se tem vontade de voltar. Provavelmente isto foi assim também com
Milton, até a madurez, como ele mesmo diz.


Mas creio eu que essa madurez tem também muito a ver com sua mulher,
Marie-Hélène que tem uma visão muito particular e rigorosa sobre os caminhos da
Política. Mas o não retorno à política tem muito a ver com o fato de Milton
Santos ter deixado a Bahia. Procurou em outros afazeres o reconhecimento e uma
maneira de também sentir-se socialmente útil, fazendo, como ele mesmo diz,
‘coisas importantes’. Mas toda essa interpretação tem a ver com a condição de
ser baiano. Há um divórcio físico entre Milton Santos e a Bahia, mas nenhum
rompimento com o elo afetivo que mantém com sua terra. Insiste sempre que os
baianos são como são, a Universadade da Bahia é o que é, pois soube ‘aproveitar
a coisa cultural’, antes de o industrialismo tentar chegar.


Sobre o exílio


Há algo de extremamente curioso com Milton que viveu exilado, por razões
políticas, em tantos lugares do mundo, durante um momento da sua vida e da vida
do nosso país, extremamente difícil. Milton Santos, é bom que se repita, foi
exilado político. Mas, como poucos não tiram proveito disso, exerce vivamente a
ética na política. Jamais se comportou como vítima do regime militar, ou guarda
amarguras. Aliás este é um traço que não se observa em seu modo de viver. Ao
contrário, é no exílio que constrói um pensamento teórico-crítico, muito mais
forte do que a construção política.


Explico-me. Milton não monta no exílio o discurso heróico da volta. Conheço
sobejamente o seu processo de volta e todas as dificuldades para se estabelecer
e, sobretudo, reingressar na vida e na universidade brasileiras! Apesar das
vicissitudes, procura exercer o seu labor e construir, aí sim, um profundo
pensamento teórico e político que o Brasil e os brasileiros necessariamente, aos
poucos estão tendo de conhecer e admirar. Milton se instala, não como herói que
voltou carregado nos braços do povo mas, difícil, cautelosa e profundamente vai
impondo-se, como um dos principais pensadores e intelectuais brasileiros, com um
pensamento e uma posição política profundos e inarredáveis. No exílio, se dedica
obstinadamente aos estudos. É aí que fundamenta sem dúvida nenhuma sua obra de
posterior.


A explosão de sua obra


Procuro acompanhar de perto a produção científica e acadêmica de Milton
Santos; seu pensar é profundo, erudito, sinuoso como o ‘caminho do campo’, na
metafísica de Heidegger. Sua obra se confunde no meu modo de ver com a história
do pensamento geográfico brasileiro: empirista no início – vide os seus
primeiros trabalhos; fórmula depois, sob inspiração do método indutivo dedutivo
– o Espaço Dividido e outros textos sobre a Economia Urbana, e entra plenamente
na dialética a partir da Geografia Nova. Estamos na totalidade mundo, na
aceleração contemporânea, enfim mergulhamos no movimento do mundo.


Assim, Milton vai transformar-se em um geógrafo-filósofo solto, ético,
completamente comprometido com o seu tempo, com o seu povo, mas sobretudo com o
mundo. Tem a ousadia de propor que a geografia ‘é a filosofia das técnicas!’ Ele
nos ensina que ‘a paisagem é uma acumulação de tempos’ e que o ‘espaço
geográfico é um sistema de objetos e de ações’ em que a técnica tem um papel
central. Vai nos introduzir nesta ‘aceleração contemporânea’ cuja compreensão
está pautada na caracterização desta contemporaneidade como pertencendo a um
‘período técnico científico e informacional’, não se esquecendo das lições de um
de seus grandes mestres que foi Max Sorre.


Fala-nos do tempo e nos introduz no conceito de evento, ‘o tempo
empiricizado, portador de um acontecer histórico’. Desenvolve os conceitos de
sistema, isto é, o funcionamento da técnica – no seu aspecto material e
imaterial – em diversas épocas e que hoje possibilita a criação daquilo que
Milton denomina de ‘inteligência planetária’; de redes, ‘produto das condições
contemporâneas da técnica’ e de ações que se distinguem pela sua racionalidade e
intencionalidade.


Fala-nos de verticalidades, ‘esse espaço de fluxos formado por pontos’ e de
horizontalidades, ‘os espaços da contiguidade’. Em suas formulações, centradas
em um humanismo irrepreensível há lugar também para os homens lentos e pobres do
planeta e que se situam diante da volúpia dos tempos acelerados. Nos introduz,
assim nas ‘zonas opacas e nas zonas luminosas’, para alertar- nos sobre a
tecnificação do território nesta nova divisão do trabalho mediada pela técnica.
Mas, o que é mais importante, nos faz revisitar velhos conceitos da geografia –
região, lugar, território – ajustando-os ao mundo de hoje. Milton faz assim,
renascer a geografia.


As construções são longas e lentas…


Ouvindo Milton falar de seu trabalho, percebe-se de imediato a alegria em
seus olhos. A obstinação pela busca, pela compreensão, pela reflexão, uma
curiosidade incontida. Sempre tive enorme curiosidade em conhecer o processo de
trabalho intelectual e acadêmico de Milton. Um dia, revelou-me parte dele:
disciplina, organização, trabalho e uma enorme curiosiddade, uma busca
permanente. Revelou-me parte da sua forma de trabalhar e isto é um segredo
nosso… Mas, da escolha do papel, a escolha da caneta, ou das canetas, de
diferentes cores. A busca, a escolha da palavra, a música da frase, o rigor dos
significados.


Seu novo livro, cuidadosa e longamente trabalhado em geografias distantes. Um
primor! A grande obra! A preocupação com a referência bibliográfica correta,
tudo severamente feito e organizado. Um pensamento que avança, pouco a pouco,
cautelosa e firmemente. Será, sem dúvida uma marca de Milton. Pelo seu conteúdo
sem dúvida nenhuma, mas sobretudo porque revela um imenso e cotidiano trabalho.
Mas, já há novos projetos, filhotes que vão sendo retomados. Fantástico e rico
projeto que prossegue, desde o exílio.


É chegada a hora de pensar na história do território brasileiro. Pura
especulação minha. Porém essa idéia deve ter por trás uma interpretação nova da
globalização. A reflexão de um geógrafo sobre a sociedade brasileira. E tem
mais… No sabor das conversas surge nova epistemologia da existência, a questão
da emoção. E a técnica permanece como a questão central e esta é a enorme
contribuição de Milton Santos para a compreensão desta Conteporaneidade. Daí a
sua avançada proposição da geografia como sendo a filosofia das técnicas. Uma
visão da técnica que não suprime a história, isto é, a técnica usada de uma
outra forma. Há uma preocupação firme de romper com a aparente impossibilidade
de mudança, especialmente dos processos de compreensão desta contemporaneidade,
e consequentemente do Brasil, hoje. A técnica, a cultura técnica. E é este
desenvolvimento que permite ir além das proposições homogeneizantes da
globalização como produto de tecnologização. esta visão diz ele, suprime a
história e consequente suprime a emotividade.


Milton Santos entende a técnica usada de outra maneira, mediante outras
combinações e com uma crença da história. Imensos projetos, filhotes do maior –
a absoluta necessidade de compreender o mundo e o seu país, pelo olhar de um
geógrafo. Mas o que permanece é o desesperado apelo para o pensar, o novo pensar
para construir o novo e não confundi-lo com a novidade. Aí emerge novamente o
professor, o mestre. A busca de discípulos, poucos, é bem verdade. Dois em
duzentos. Mas é preciso chamar a atenção para este repensar o Brasil e o mundo,
ainda que com poucos. É preciso ensinar a perceber a diferença não apenas entre
o rico e o pobre, mas entre o pobre e o ser humano. Provavelmente aí está a
epistemiologia da existência a que Milton Santos se tem referido ultimamente,
insistentemente.


Quanto à Geografia… refletindo e aprendendo com
Milton


Para Milton a geografia nunca teve momento tão promissor. Ao peso das
metáforas se associa o peso da desconfiança dos geógrafos na força do espaço.
Essa desconfiança levou o geógrafo a adotar a primeira idéia mais próxima, entre
geólogos, antropólogos, cientistas políticos, filósofos, do que assumir a
geografia propriamente dita. Por isso a geografia foi invadida por metáforas.
Assim nos chega uma enorme influência vinda antes dos geógrafos franceses,
depois dos anglo-saxões, disseminando o poder de alguns poucos geógrafos: o
deslocamento do interesse dos hegemônicos em relação aos hegemonizados se
amplia. O resultado desse processo é que a geografia, em vez de se tornar
universal, se torna provinciana.


Além disso, há uma institucionalização crescente da disciplina: seu prestígio
é ligado a departamentos, a revistas. Isto vai criar uma enorme capacidade de
reprodução sem discussão do objetivo mesmo do que se está fazendo. E isto é o
que Milton denomina de ‘moda’. Elaborando uma profunda reflexão sobre o
movimento da geografia na América Latina que ele próprio criou, Milton teme que
ele venha a não durar muito. Pois, lamentavelmente aqui, para que as coisas
vinguem, alguém sempre quer criar alguma instituição, institucionalizar os
processos: criar uma associação de geógrafos da América Latina, para se associar
a UGI – União Geográfica Internacional e posteriormente solicitar financiamentos
de preferência a alguma instituição internacional. Assim, a geografia se
fragmenta cada vez mais. O movimento que Milton Santos indubitavelmente lidera
na América Latina se opõe a isto: nele a geografia se globaliza, assume uma
forma de expressão diferente, procura manter um estreito laço cultural e esta é
também uma forma de expressão diferente.


Milton nos revela sempre a sua visão sobre a geografia, sobre o Brasil e
sobre o mundo. Seu sinuoso pensar pode vislumbrar coisas que nós ainda
certamente não estamos vendo. Assim tem sido a sua vida… No entanto, seu
pensamento nos deixa atento para procurar compreender nosso país. Verificar se o
Brasil só está impregnado da novidade (a política neoliberal) ou se efetivamente
já fomos emprenhados pelo ‘novo no mundo: a possibilidade de, com a técnica,
construir esse “admirável mundo novo”‘ e a tão perseguida civilização do ócio,
resgatando a plenitude do homem universal.


Milton, sua lucidez, sua obra e a história da sua vida nos permitem, ainda,
construir utopias.


Um beijo. Continue a ser feliz.


Maria Adélia.


São Paulo, setembro de 1996.


(Do Livro: O mundo do cidadão / Um cidadão do mundo
Organizado por : Maria Adélia Aparecida de Souza
Editora: Hucitec – São Paulo, 1996)

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