As catadeiras de piolhos

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As catadeiras de piolhos (Arthur Rimbaud)

Tradução de R.Magalhães Junior

Quando a mente do infante, em rubra tempestade,
Implora o alvo tropel dos sonhos indistintos,
Duas ternas irmãs vem, cheias de bondade,
Ao pé do leito em que despertam seus instintos.

Sentando-o junto a um vão de porta escancarada
Ao ar azul que banha os bosques e os rosais,
Na espessa cabeleira, ao mormaço orvalhada,
Passeiam com afã dedos finos, mortais…

Ele ouve-lhes cantar, lenta, a respiração,
Com doçuras de mel vegetal e rosado,
Que a espaços interrompe ou a salivação,
Ou o anseio de um beijo a custo recalculado.

Cílios, a palpitar, em morna sonolência,
No silencio aromal, ele ouve… e cerra os olhos,
Enquanto os dedos com elétrica insistência,
Dão sob as unhas reais morte aos pequenos piolhos.

O vinho da Preguiça, o nétar das delicias,
Suspiro musical, o invade e o faz sonhar…
E então, nele, incessante, ao torpor das caricias,
Surge e morre um desejo imenso de chorar..

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