A Máscara

Print Friendly, PDF & Email

A Máscara (Augusto dos Anjos)

Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.
No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.

Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.

E entre a mágoa que masc’ra eterna apouca
A humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida.

Publicações relacionadas

Garabato Garabato (Octavio Paz) Con un trozo de carbon Con mi gis roto y mi lapiz ...
Ao sol do meio-dia eu vi dormi... Ao sol do meio-dia eu vi dormindo - Soneto (Álvares de Azevedo) Ao sol do mei...
Desencontrários Desencontrários (Paulo Leminski) Mandei a palavra rimar. Ela não me obedeceu...
Mote Mote (Gregório de Matos) De dous ff se compõe esta cidade a meu ver ...

Deixe uma resposta