Intimidades

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Intimidades (Charles Pierre Baudelaire)

Tradução de Paulo Cesar Pimentel

Tu és um céu de outono, alegre e cor de rosa!
Mas a tristeza em mim, sombrio mar avança
E deixa, ao refluir, em minha boca ansiosa
De um lodo escuro e amargo a cáustica lembrança.

– A tua mão me afaga o peito; o que ela quer,
Minha amiga, é um lugar que tem sido saqueado
Pela garra acerada e o dente da mulher:
Até meu coração também foi devorado.

Meu coração é templo onde a turba cultua
Todos os crimes vis e os vícios degradantes!
– Um perfume te envolve e pele branca e nua!…

Flagelo de minha alma, ó mulher, por que esperas?
Com teus olhos de fogo, archotes flamejantes,
Calcina o que sobrou do repasto das feras!

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