Aberração

Print Friendly, PDF & Email

Aberração (Augusto dos Anjos)

Na velhice automática e na infância,
(Hoje, ontem, amanhã e em qualquer era)
Minha hibridez é a súmula sincera
Das defectividades da Substância.

Criando na alma a estesia abstrusa da ânsia,
Como Belerofonte com a Quimera
Mato o ideal; cresto o sonho; achato a esfera
E acho odor de cadáver na fragrância!

Chamo-me Aberração. Minha alma é um misto
De anomalias lúgubres. Existo
Como o cancro, a exigir que os sãos enfermem…

Teço a infâmia; urdo o crime; engendro o iodo
E nas mudanças do Universo todo
Deixo inscrita a memória do meu gérmen!

Publicações relacionadas

Primeiros Conselhos do Outono Primeiros Conselhos do Outono (Antero de Quental) Ouve tu, meu cansado coraca...
Quiero, a la sombra de un ala Quiero, a la sombra de un ala (José Martí) (La niña de Guatemala) ...
Expectativas Expectativas (Mario Benedetti) Do livro "Per...
A Rua dos Cataventos A Rua dos Cataventos (Mário Quintana) Da vez primeira em que me assassinaram,...

Deixe uma resposta