O espectro

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O espectro (Charles Pierre Baudelaire)

Tradução de Theophilo Dias

Como espectro agoureiro, hei de, escondido,
Entrar na tua alcova silenciosa,
Deslizando sinistro, sem ruído,
Com a sombra das noites pavorosa.

E a tua branca espádua hei de afagar,
Como serpente a pedra de um sepulcro,
E hei de imprimir-te ao corpo esbelto e pulcro
Os meus beijos, mais frios que o luar.

Ao repontar a lívida alvorada.
Encontrarás o meu lugar vazio,
E hás de senti-lo abandonado e frio,
Até surgir a noite, oh minha amada.

Sobre a tua atraente formosura,
E a tua bela mocidade em flor,
Como os outros, mulher, pela ternura,
Eu quero dominar pelo terror!

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