Correspondências

Print Friendly, PDF & Email

Correspondências (Charles Pierre Baudelaire)

A natureza é um templo em que vivas pilastras
deixam sair às vezes obscuras palavras;
o homem a percorre através de florestas de símbolos
que o observam com olhares familiares.
Como longos ecos que de longe se confundem
numa tenebrosa e profunda unidade,
vasta como a noite e como a claridade,
os perfumes, as cores e os sons se correspondem.
Há perfumes saudáveis como carnes de crianças,
doces como os oboés, verdes como as campinas,
e outros, corrompidos, ricos e triunfantes,

tendo a efusão das coisas infinitas,
como o âmbar, o almíscar, o benjoim e o incenso,
que cantam os êxtases do espírito e dos sentidos.

( BAUDELAIRE, Charles, Oeuvres complétes. Paris,
Oallimard, Bibliothèque de la Pléiade, 1966.)

Nota:Trata-se de tradução livre, pois o soneto,
com esquema de rima ABBA nos quartetos e
CDC/DEE nos terceiros, está expresso
em versão alexandrinos.

Publicações relacionadas

À Mesa À Mesa (Augusto dos Anjos) Cedo à sofreguidão do estômago. É a hora De comer...
Tempos Idos Tempos Idos (Augusto dos Anjos) Não enterres, coveiro, o meu Passado, Tem pe...
Álvaro de Campos Álvaro de Campos (1889-1935) POEMAS PUBLICADOS BIOGRAFIA: ...
A Canção do Africano A Canção do Africano (Castro Alves) Lá na úmida senzala, Sentado na estreita...

Deixe uma resposta