Abandonada

Print Friendly, PDF & Email

Abandonada (Augusto dos Anjos)

Ao meu irmão Odilon dos Anjos

Bem depressa sumiu-se a vaporosa
Nuvem de amores, de ilusões tão bela;
O brilho se apagou daquela estrela
Que a vida lhe tornava venturosa!

Sombras que passam, sombras cor-de-rosa
– Todas se foram num festivo bando,
Fugazes sonhos, gárrulos voando
– Resta somente um’alma tristurosa!

Coitada! o gozo lhe fugiu correndo,
Hoje ela habita a erma soledade,
Em que vive e em que aos poucos vai morrendo!

Seu rosto triste, seu olhar magoado,
Fazem lembrar em noute de saudade
A luz mortiça d’um olhar nublado.

Publicações relacionadas

Quem se defende Quem se defende (Bertold Brecht) Quem se defende porque lhe tiram o ar Ao lh...
Romanxe de Nossa Señora da Bar... Romanxe de Nossa Señora da Barca (Federico Garcia Lorca) Seis Poemas Galegos ...
Il Trovatore Il Trovatore (Augusto dos Anjos) Canta da torre o trovador saudoso - Addio...
A vida esse parêntese A vida esse parêntese (Mario Benedetti) Do l...

Deixe uma resposta