A giganta

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A giganta (Charles Pierre Baudelaire)

Tradução de Lopes Filho

Quando a natureza, em sua verve luxuriante,
Concebia em seu ventre um ente monstruoso,
Eu quisera dormir aos pés de um gigante,
Como aos pés de uma rainha, um gato preguiçoso!

Ver seu corpo crescer indefinidamente,
E sua alma desabrochar como nos meus sonhos…
Escutar-lhe do riso o ritmo fremente,
Na doce embriagues de seus olhos tristonhos!

Trepar-me sobre a torre dos joelhos colossais!
Contemplar-lhe, absorto, as formas sem iguais…
E quando, ao calor do estio, a sesta na campina,

Ela fosse dormir, toda inclinada a meio,
Eu, então, dormiria à sombra do seu seio,
Como um olmo feliz ao pé de uma colina!

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