Elevação

Print Friendly, PDF & Email

Elevação (Charles Pierre Baudelaire)

Tradução de Eduardo Guimarães

Sobre os charcos, além das valadros,
acima da montanha e além das nuvens no ar,
e do mar e do sol e do éter a brilhar
e para lá do fim dos planos estrelados,

sinto-te ágil, ó meu espírito, ascender
e como nadador que a onda de gozo inunda,
sulcar alegremente a vastidão profunda,
um indizível, casto e másculo prazer!

Voa fugindo ao mal destes miasmas baços.
Purifica-te no ar do azul superior
e bebe, como um puro e divino licor,
do claro fogo que enche os límpidos espaços.

Por trás dos tédios, sob a dor que a alma reduz,
e abate, como um peso, a existência brumosa,
ah! feliz de quem possa, a uma asa vigorosa,
suspenso, arrebatar-se ás regiões da luz!

Quem tenha os sonhos como as calhandras que as alam
e giram pelo céu ao matinal clarão:
quem sobre a vida paire e sem esforço vão,
saiba as flores ouvir e as coisas que não falam!

Publicações relacionadas

Abat-Jour Abat-Jour (Fernando Pessoa) A lâmpada acesa (Outrem a acendeu) Baixa uma ...
Aos que Hesitam Aos que Hesitam (Bertold Brecht) Você diz: Nossa causa vai mal. A escuridão...
Trevas Trevas (George Gordon Byron) (Tradução de Castro Alves) Eu tive um sonho q...
O mapa O mapa (Mário Quintana) Olho o mapa da cidade Como quem examinasse A anatom...

Deixe uma resposta