Para onde fores, Pai, para onde fores…

Print Friendly, PDF & Email

Para onde fores, Pai, para onde fores… (Augusto dos Anjos)

Sonetos
A meu Pai doente

Para onde fores, Pai, para onde fores,
Irei também, trilhando as mesmas ruas.
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!

Que cousa triste! O campo tão sem flores,
E eu tão sem crença e as árvores tão nuas
E tu, gemendo, e o horror de nossas duas
Mágoas crescendo e se fazendo horrores!

Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria,
Indiferente aos mil tormentos teus
De assim magoar-te sem pesar havia?!

— Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim .
É bom, é justo, e sendo justo, Deus,
Deus não havia de magoar-te assim!

Publicações relacionadas

Barcarola Barcarola (Augusto dos Anjos) Barcarola Cantam nautas, choram flautas Pel...
Síndrome Síndrome (Mario Benedetti) Do livro "Inventár...
Dobrada à moda do porto Dobrada à moda do porto (Álvaro de Campos) Um dia, num restaurante, fora do e...
Poemas Neoconcretos I Poemas Neoconcretos I - um fragmento: "Velocidades" (Ferreira Gullar) mar azu...

Deixe uma resposta