Saudade

Print Friendly, PDF & Email

Saudade (Augusto dos Anjos)

Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença, em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noute qaundo em funda soledade
Minh’alma se recolhe tristemente,
P’ra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,

Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.

Publicações relacionadas

Quando entre nós só havia uma ... Quando entre nós só havia uma carta (Ana Cristina Cesar) Quando entre nós só ...
Oceano Nox Oceano Nox (Antero de Quental) Junto do mar, que erguia gravemente A trágica...
O açúcar O açúcar (Ferreira Gullar) O branco açúcar que adoçará meu café nesta manhã ...
No corpo feminino, esse retiro No corpo feminino, esse retiro (Carlos Drummond de Andrade) No corpo feminino...

Deixe uma resposta