Versos

Print Friendly, PDF & Email

Versos (Antero de Quental)

(escritos num exemplar das “flores do mal”)

As flores que nossa alma descuidada
Colhe na mocidade com mão casta,
São belas, sim: basta aspirá-las, basta
Uma vez, fica a gente enfeitiçada.

Nascem num prado ou riba sossegada,
Sob um céu puro e luz serena e vasta;
Têm fragrância subtil, mas nunca exausta,
Falam d’Amor e Bem à alma enlevada…

Mas as flores nascidas sobre o asfalto
Dessas ruas, no pó e entre o bulício,
Sem ar, sem luz, sem um sorrir do alto,

Que têm elas, que assim nos endoidecem ?
Têm o que mais as almas apetecem…
Têm o aroma irritante e acre do Vício !

Publicações relacionadas

A Noite Desce A Noite Desce (Alberto Caeiro) A noite desce, o calor soçobra um pouco...
Festival Festival (Augusto dos Anjos) Para Jônatas Costa Címbalo...
Escreve-Me … Escreve-Me ... (Florbela Espanca) Escreve-me! Ainda que seja só Uma palavra,...
A maior Tortura A maior Tortura (Florbela Espanca) A um grande poeta de Portugal Na vid...

Deixe uma resposta