A morte de vênus

Print Friendly, PDF & Email

A morte de vênus (Augusto dos Anjos)

Velhos berilos, pálidas cortinas,
Morno frouxel de nardos recendendo
Velam-lhe o sono… e Vênus vai morrendo
No berço azul das névoas matutinas!

Halos de luz de brancas musselinas
Vão-lhe do corpo virginal descendo
– Abelha irial que foi adormecendo
Sobre um coxim de pérolas divinas.

E quando o Sol lhe beija a espádua nua,
Cai-lhe da carne o resplendor da Lua
No reverbero dos deslumbramentos…

Enquanto no ar há sândalos, há flores
E haustos de morte – os últimos clangores
Da música chorosa dos mementos!

Publicações relacionadas

Múmia Múmia (Cruz e Souza) Múmia de sangue e lama e terra e treva, Podr...
Canção da Parada do Lucas Canção da Parada do Lucas (Manuel Bandeira) Parada do Lucas — O trem não par...
Um mancebo no jogo se descora Um mancebo no jogo se descora - Soneto (Álvares de Azevedo) Um mancebo no jog...
Irene no céu Irene no céu (Manuel Bandeira) Irene preta Irene boa Irene sempre de bom hu...

Deixe uma resposta