Rebelado

Print Friendly, PDF & Email

Rebelado (Augusto dos Anjos)

Ri tua face um riso acerbo e doente,
Que fere, ao mesmo tempo que contrista…
Riso de ateu e riso de budista
Gelado no Nirvana impenitente.

Flor de sangue, talvez, e flor dolente
De uma paixão espiritual de artista,
Flor de Pecado sentimentalista
Sangrando em riso desdenhosamente.

Da alma sombria de tranqüilo asceta
Bebeste, entanto, a morbidez secreta
Que a febre das insânias adormece.

Mas no teu lábio convulsivo e mudo
Mesmo até riem, com desdéns de tudo,
As sílabas simbólicas da Prece!

Publicações relacionadas

Encarnação Encarnação (Cruz e Souza) Carnais, sejam carnais tantos desejos, ...
Anoche cuando dormía Anoche cuando dormía (Antonio Machado) Anoche cuando dormía soñé, ¡bendita ...
Soledades I Soledades I (Antonio Machado) He andado muchos caminos, (Tenho andado mui...
Começa a ir ser dia Começa a ir ser dia (Fernando Pessoa) Começa a ir ser dia, O céu negro come...

Deixe uma resposta