Solemnia verba

Print Friendly, PDF & Email

Solemnia verba (Antero de Quental)

de Sonetos

Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andámos! Considera
Agora, desta altura, fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos…

Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E a noite, onde foi luz a Primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!

Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do pensar tornado crente,

Respondeu: Desta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se isto é vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.

Publicações relacionadas

A um poeta A um poeta (Antero de Quental) d...
A legião dos úrias A legião dos úrias (Vinicius de Moraes Quando a meia-noite surge nas estradas...
Quem não sabe de ajuda Quem não sabe de ajuda (Bertold Brecht) Como pode a voz que vem das casas Se...
Canção do pintor Hitler Canção do pintor Hitler (Bertold Brecht) 1 Hitler, o pintor de paredes Di...

Deixe uma resposta