Nox

Print Friendly, PDF & Email

Nox (Antero de Quental)

de Sonetos

Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos…

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia…
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos…

Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!

Publicações relacionadas

A peste A peste (Augusto dos Anjos) Filha da raiva de Jeová - a Peste N’um insano ce...
Círculo vicioso Círculo vicioso (Machado de Assis) Bailando no ar, gemia inquieto vagalume: ...
Sonhos de Aninha Sonhos de Aninha (Cora Coralina) Que a mesa esteja sempre posta para a oferta...
Revelação Revelação (Augusto dos Anjos) I Escafandrista de insondado oceano Sou eu ...

Deixe uma resposta