Às Vezes

Print Friendly, PDF & Email

Às Vezes (Alberto Caeiro)

De O Guardador de Rebanhos

Às vezes, em dias deluz perfeita e exata,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!

Publicações relacionadas

A um Carneiro Morto A um Carneiro Morto (Augusto dos Anjos) Misericordiosíssímo carneiro Esquart...
A mosca azul A mosca azul (Machado de Assis) Era uma mosca azul, asas de ouro e grana...
As coisas As coisas (Arnaldo Antunes) As coisas têm peso, massa, volume, tamanho,...
A Floresta A Floresta (Augusto dos Anjos) Em vão com o mundo da floresta privas!... - T...

Deixe uma resposta