Soneto de intimidade

Print Friendly, PDF & Email

Soneto de intimidade (Vinicius de Moraes

Nas tardes da fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.
Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma aurora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

Publicações relacionadas

À Capela do Almeida À Capela do Almeida (Castro Alves) GRATO oásis do viajante, Terra de lindos ...
As tuas mãos terminam em segre... As tuas mãos terminam em segredo (Fernando Pessoa) As tuas mãos terminam em ...
Bate a luz no cimo… Bate a luz no cimo... (Fernando Pessoa) Bate a luz no cimo Da montanha, vê....
A giganta A giganta (Charles Pierre Baudelaire) ...

Deixe uma resposta