Asa do corvo

Print Friendly, PDF & Email

Asa do corvo (Augusto dos Anjos)

Asa de corvos carniceiros, asa
De mau agouro que, nos doze meses,
Cobre às vezes o espaço e cobre às vezes
O telhado de nossa própria casa…

Perseguido por todos os reveses,
É meu destino viver junto a essa asa,
Como a cinza que vive junto à brasa,
Como os Goncourts, como os irmãos siameses!

È com essa asa que eu faço este soneto
E a indústria humana faz o pano preto
Que as famílias de luto martiriza…

É ainda com essa asa extraordinária
Que a Morte – a costureira funerária –
Cose para o homem a última camisa!

Publicações relacionadas

Versos de amor Versos de amor (Augusto dos Anjos) ...
Os Esperançosos Os Esperançosos (Bertold Brecht) Pelo que esperam? Que os surdos se deixem c...
Oração Oração (Henry David Thoreau) Senhor! Não vos peço riqueza menor Do que a de ...
Ecos d’Alma Ecos d’Alma (Augusto dos Anjos) Oh! madrugada de ilusões, santíssima, Sombra...

Deixe uma resposta