Asa do corvo

Print Friendly, PDF & Email

Asa do corvo (Augusto dos Anjos)

Asa de corvos carniceiros, asa
De mau agouro que, nos doze meses,
Cobre às vezes o espaço e cobre às vezes
O telhado de nossa própria casa…

Perseguido por todos os reveses,
É meu destino viver junto a essa asa,
Como a cinza que vive junto à brasa,
Como os Goncourts, como os irmãos siameses!

È com essa asa que eu faço este soneto
E a indústria humana faz o pano preto
Que as famílias de luto martiriza…

É ainda com essa asa extraordinária
Que a Morte – a costureira funerária –
Cose para o homem a última camisa!

Publicações relacionadas

Soma Soma (Arnaldo Antunes) mais que lento: parado mais que parado: morto mais...
O inútil luar O inútil luar (Manuel Bandeira) É noite. A Lua, ardente e terna, Verte na so...
Antes o Vôo da Ave Antes o Voo da Ave (Alberto Caeiro) D...
O Canto Dos Presos O Canto Dos Presos (Augusto dos Anjos) Troa, a alardear bárbaros sons abstrus...

Deixe uma resposta