O Lázaro da Pátria

Print Friendly, PDF & Email

O Lázaro da Pátria (Augusto dos Anjos)

Filho podre de antigos Goitacases,
Em qualquer parte onde a cabeça ponha,
Deixa circunferências de peçonha,
Marcas oriundas de úlceras e antrazes.

Todos os cinocéfalos vorazes
Cheiram seu corpo. À noite, quando sonha,
Sente no tórax a pressão medonha
Do bruto embate férreo das tenazes,

Mostra aos montes e aos rígidos rochedos
A hedionda elefantíasis dos dedos…
Há um cansaço no Cosmos… Anoitece,

Riem as meretrizes no Casino,
E o Lázaro caminha em seu destino
Para um fim que ele mesmo desconhece!

Publicações relacionadas

Pneumotoráx Pneumotoráx (Manuel Bandeira) Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos, ...
Auto-retrato Auto-retrato (Manuel Bandeira) Provinciano que nunca soube Escolher bem uma ...
A Canoa Fantástica A Canoa Fantástica (Castro Alves) PELAS SOMBRAS temerosas Onde vai esta cano...
Tática e estratégia Tática e estratégia (Mario Benedetti) Tradução Minha tática é olhar-te a...

Deixe uma resposta