O Lázaro da Pátria

Print Friendly, PDF & Email

O Lázaro da Pátria (Augusto dos Anjos)

Filho podre de antigos Goitacases,
Em qualquer parte onde a cabeça ponha,
Deixa circunferências de peçonha,
Marcas oriundas de úlceras e antrazes.

Todos os cinocéfalos vorazes
Cheiram seu corpo. À noite, quando sonha,
Sente no tórax a pressão medonha
Do bruto embate férreo das tenazes,

Mostra aos montes e aos rígidos rochedos
A hedionda elefantíasis dos dedos…
Há um cansaço no Cosmos… Anoitece,

Riem as meretrizes no Casino,
E o Lázaro caminha em seu destino
Para um fim que ele mesmo desconhece!

Publicações relacionadas

Tristezas de um Quarto-Minguan... Tristezas de um Quarto-Minguante (Augusto dos Anjos) Quarto Minguante! E, em...
Cartas de Amor Ofhélia Queiroz conheceu Fernando Pessoa aos dezenove anos, em 1920. ...
Adeus, Meus Sonhos! Adeus, Meus Sonhos! (Álvares de Azevedo) Adeus, meus sonhos, eu pranteio e mo...
Intimidade Intimidade (Antero de Quental) Quando, sorrindo, vais passando, e toda Essa...

Deixe uma resposta