Como um Grande Borrão

Print Friendly, PDF & Email

Como um Grande Borrão (Alberto Caeiro)

De O Guardador de Rebanhos

Como um grande borrão de fogo sujo
O sol posto demora-se nas nuvens que ficam.
Vem um silvo vago de longe na tarde muito calma.
Deve ser dum comboio longínquo.

Neste momento vem-me uma vaga saudade
E um vago desejo plácido
Que aparece e desaparece.

Também às vezes, à flor dos ribeiros,
Formam-se bolhas na água
Que nascem e se desmancham
E não têm sentido nenhum
Salvo serem bolhas de água
Que nascem e se desmancham.

Publicações relacionadas

Noturno Noturno (Antero de Quental) Espírito que passas, quando o vento Adormece no ...
Enquanto a chuva cai Enquanto a chuva cai (Manuel Bandeira) A chuva cai. O ar fica mole . . . Ind...
Disaires da formosura Disaires da formosura (Gregório de Matos) Rubi, concha de perlas peregrina, ...
Ausência Ausência (Vinicius de Moraes Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os...

Deixe uma resposta