Manuscritos de Felipa

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Manuscritos de Felipa – trechos do livro (Adélia Prado)

“Preciso descobrir se é errado falar palavrões. É tão bom! Se for certo, nas horas de necessidade, é claro, posso dispensar o travesseiro que já está furado de tanto eu dar murro nele.”

“Somos todos insuportáveis por causa do medo.”

“Ninguém me chame pra lugar nenhum. Minha viagem é em minha própria casa, grande demais pra meu gosto. Quero um quarto, preciso de um cômodo só, quero uma cela, estou entrópica. ”

“Quero a verdade, mas não muito, não toda, por partes, se puder, em pequenos torrões. Com chá, por causa do medo que voltou, o deus terrível que me quer escrava e a quem temo deixar, com medo de morrer afogada pelo excesso de ar, viciada que estou em pequeninos gritos, suspiros abafados, lágrimas prestes a cair.”

“Minha libido está desaparecendo, a cara nojenta do medo dá o ar da sua graça. A velha está com medo e não existe chupeta pra anciãs.”

“Deus me abreviou os dias tormentosos. Me pôs em maio. Estou em maio. Tenho olhos de novo para moitas floridas margeando a estrada…”

“A beleza cresce quando a entendo? ”

Prado, Adélia – Manuscritos de Felipa / Adélia Prado – São Paulo: Siciliano, 1999.ISBN 85-267-0830-9

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