O Pastor Amoroso

Print Friendly, PDF & Email

O Pastor Amoroso (Alberto Caeiro)

O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe pira tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu.
Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem,
estão presentes.
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco
nos pulmões)
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor,
uma liberdade
no peito.

Publicações relacionadas

Prendimiento de Antoñito El Ca... Prendimiento de Antoñito El Camborio en el camino de Sevilla (Federico Garcia Lo...
Tu, Místico Tu, Místico (Alberto Caeiro) Tu, místico, vês uma significação em todas as ...
Preceito 03 Preceito 03 (Gregório de Matos) Pois no que toca a guardar dias Santos, e...
Aurora morta, foge! Aurora morta, foge! (Augusto dos Anjos) Soneto Aurora morta, foge! Eu busc...

Deixe uma resposta