Poemas malditos

Print Friendly, PDF & Email

Poemas malditos (Álvares de Azevedo)

De tanta inspiração e tanta vida
Que os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto.. .
O que resta? uma sombra esvaecida,
Um triste que sem mãe agonizava . .
Resta um poeta morto!

Morrer! e resvalar na sepultura.
Frias na fronte as ilusões—no peito
Quebrado o coração!
Nem saudades levar da vida impura
Onde arquejou de fome . . sem um leito!
Em treva e solidão!

Tu foste como o sol; tu parecias
Ter na aurora da vida a eternidade
Na larga fronte escrita. . .
Porém não voltarás como surgias!
Apagou-se teu sol da mocidade
Numa treva maldita!

Tua estrela mentiu. E do fadário
De tua vida a página primeira
Na tumba se rasgou…
Pobre gênio de Deus, nem um sudário!
Nem túmulo nem cruz! como a caveira
Que um lobo devorou!. . .

Publicações relacionadas

De Que Serve a Bondade De Que Serve a Bondade (Bertold Brecht) 1 De que serve a bondade Se os bons...
Objeto de amar Objeto de amar (Adélia Prado) De tal ordem é e tão precioso o que devo dize...
Ergue, criança, a fronte condo... Ergue, criança, a fronte condorina ... (Augusto dos Anjos) Soneto Ao meu p...
Momentos ao natural Momentos ao natural (Walt Whitman) Momentos ao natural, quando vocês vêm a m...

Deixe uma resposta