Nicolás Guillén

A muralha

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A muralha (Nicolás Guillén)

“La Paloma de Vuelo Popular” – 1958
Tradução de Thiago de Mello

Para erguer esta muralha
me tragam todas as mãos;
os negros, suas mãos negras,
os brancos, as brancas mãos.

Ai,
uma muralha que vá
desde a praia até a montanha,
da montanha à praia, bem,
lá sobre o horizonte.

– Tun, tun!
– Quem és?
– Uma rosa e um cravo…
– Abre a muralha!
– Tun, tun!
– Quem és?
– O sabre do coronel…
– Fecha a muralha!
– Tun, tun!
– Quem és?
– A pomba e o cravo…
– Abre a muralha!
– Tun, tun!
– Quem és?
– O escorpião e a centopéia…
– Fecha a muralha!

Ao coração do amigo,
abre a muralha;
ao veneno e ao punhal,
fecha a muralha;
à mirta e à hortelã,
abre a muralha;
ao dente da serpente,
fecha a muralha;
ao rouxinol na flor,
abre a muralha…

Ergamos uma muralha
juntando todas as mãos:
os negros, suas mãos negras,
os brancos, as brancas mãos.
Uma muralha que vá
desde a praia até a montanha,
desde a montanha até a praia, bem,
lá sobre o horizonte…

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